quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RESENHA - FLYING AGAIN


por Davi Kaus

O primeiro showzinho que eu fui foi o dessa bandinha quando eu era um adolescentezinho em 1997 ou 1998. O que ficou na minha memória foi uma camisa tipo a do Freddy Krueger amarela com preto que alguém da banda estava usando. Lembro que gostei do som, mas a porra da camisa é que marcou. Problema meu, na verdade.

De qualquer forma, acho que comecei com o pé direito nesse underground nojento do DF porque o Succulent Fly é uma banda muito boa, é sincera, cínica, agressiva, despretenciosa no melhor sentido, sem soar fútil ou com aquela pretensão mais pretenciosa que o Bon Jovi de algumas bandas alternativas.

É sempre chato situar uma banda no tempo, em décadas, mas é óbvio que o som da banda é anos noventa. Até mesmo porque eles são dos anos noventa, né?! Dá pra sentir as vibrações do Second Come, Pin Ups, Low Dream mais sujo, guitar bands das boas.



Flying Again foi um disco rebentado em 2007 e o power trio guitar band parece ter se divertido pra caralho gravando. As músicas são como espíritos zombeteiros que não sabemos se querem tirar nosso sono à noite ou roubar nossa alma. Sabe aquela pessoa que você nunca sabe se está falando sério ou não?

Independente disso, "I don't wanna work for you" tem um riff de baixo muito criativo que completa o de guitarra de uma maneira que é impossível um viver sem o outro, introdução pra uma música escrita por alguém puto com o patrão, mas que logo vai afogar as mágoas na próxima música, "Saturday afternoon", recomendada apenas para dias nos quais você pode encher a cara cuspindo cerveja pro ar. "Kill myself on Orkut", criticando os 'no names' da rede (ou teia, sei lá) social (ou anti-social, sei lá) com um refrão pegajoso... Aliás, os refrões são muito bons. "Medo", a única em português do CD, mostra que a banda pode transitar entre um idioma e outro sem problemas, diferente de outras bandas que soam forçando a barra quando tentam a experiência.

A arte do CD ficou massa, só o preço impresso na capa que destoou um pouco, mas nada que prejudique a observação dos tripulantes em relação ao retomado vôo da mosca suculenta. Comam até as asas.

Escute o Fly Again na íntegra aqui

ENTREVISTA



CC: Fale um pouco sobre a história da banda, tempo de formação etc.

SF: A banda for formada originalmente em 1989... de lá pra cá foram várias formações, e o Anderson (Guita / Vocal) agüentando firme durante todos esses anos... O Thompson (Batera) entrou na banda a cerca de 4 anos, e conheceram o Dr. Lau no estúdio de gravação... foi ele quem gravou o Flying Again, além de ter tocado baixo... De lá pra cá houve outras mudanças, mas voltamos a tocar juntos, e já estamos preparando o próximo álbum

CC: Em relação às influências musicais da banda, quais vocês acham que as pessoas notam com
mais facilidade e quais estão mais camufladas?

SF: Cara... Punk rock tá na cara... e com timbres bem anos 90 mesmo... claro que Nirvana, Sonic
Youth, Dead Kennedys, Fugazi, Buzzcocks, Helmet são grande influencias... mas curtimos também coisas mais antigas que tiveram grande influencia, como Joy Division, Black Flag, Misfits, Sex Pistols, Ramones.... e incluiria um pouco de podreira também... Slayer, Sepultura, Napalm Death, Carcass... podridões variadas

CC: Qual a visão da banda sobre shows? Contem as histórias de shows bons, ruins...

SF: Cara... Acho que nosso grande lance é tocar... não importa nem se tem gente ouvindo... acho que cada ensaio é uma grande performance... sério... a gente toca pra caralho no ensaio... leva umas cervas e chamas uns amigos... todo mundo trabalha muito, e o tempo pra show é reduzido... mas a gente gosta de tocar sim... pode convidar mais vezes... hahahaha

CC: Sobre as letras das músicas, teria alguma que vocês destacariam? O que vocês acham sobre qualidade e mensagem nas letras? Tem que ter? Tanto faz?

SF: A qualidade da mensagem é boa, mas a qualidade do inglês da gente é péssima... uhauhauahauha... ironia, acidez, ceticismo e um pouquinho de maldade... acho que a mensagem é bem por ai... em um inglês tão punk quanto o som...

CC: Como é manter na ativa uma banda de rock independente, conciliar com os outros projetos - pessoais, trabalho, família?

SF: Foda.... tem que se desdobrar... e mais... tem que gostar... gastamos grana e tempo, mas o
prazer compensa o sacrifício... claro que as vezes as coisas são complicadas... já passamos por tudo que é tipo de coisa... de ensaiar por um ano e na hora de tocar o cara resolver sair da banda... mas é isso aí... a vida é cheia de rasteiras... mas como a gente gosta do que faz, sempre batemos a poeira e começamos de novo...

CC: Por que fazer música?

SF: Por que Brasilia não tem praia, senão seriamos surfistas... hahahaha;... sério... eu (Thompson) sempre fiz isso da vida... tocar... bem coisa de Brasilia... costumo dizer que é vício... ou maldição... mais gastei do que ganhei nessa vida de músico... mas é por isso que esta não é minha profissao... acho que é na verdade a válvula de escape para as pressões do dia a dia... é o meu futebol... minha cachaça... mentira, cerveja é a minha cachaça!

CC: Mandem um recado pros leitores do blog!

SF: Não me faça pegar noooojoooo!!!!... nada pessoal, galera... mas esse é o lema da banda !
hehehe

Um comentário:

  1. Davi Kaus, o William Miller de marshmallow. Resenhista anarquista feito no cuspe. Me tasca uma beijoca orgulho de mamãe!

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