quinta-feira, 15 de julho de 2010

FESTA SHOW 1 ANO DO COLETIVO CULTCHA


"Rock and Roll é tão fabuloso, as pessoas deveriam começar a morrer por ele" – Lou Reed

Diego Mendes

Cá estou, na minha primeira resenha e logo sobre 1 ano de comemoração do Coletivo Cultcha! Devida a minha falta de experiência os leitores vão me desculpar, mas o tom do texto a seguir será algo mais intimista, seguindo mais a linha de um diário pessoal do que uma resenha crítica, como as outras já lidas aqui mesmo no blog. Isso se deve especialmente a dois fatos:

1 – Eu sou um dos fundadores do Coletivo Cultcha e sempre participei intensamente de todas as atividades do Coletivo, principalmente as organizações dos shows;

2 – Uma das bandas que iria se apresentar na noite seria a minha, Valdez. Como se não bastasse tratava-se também do lançamento do nosso EP de estréia (Colóquios Flácidos Para Acalentar Bovinos). Então vamos começar do começo.


Após uma semana de intensos preparativos para o show eis que chega sexta-feira, 09/07. Começo o dia com a minha rotina normal de ir pro trabalho. Terminado meu expediente, começa a série de telefonemas e os “corres” habituais de última hora para o evento. O local do show seria pela terceira vez consecutiva o bar Água de Beber. Chego por volta das 19h30. Lá encontro o Sérgio (Valdez), Everaldo (Valdez), Davi Kaus (Vitrine e Deluxe Jazz Fuckers) e o responsável pela sonorização da noite, o nosso grande amigo Edmilton do estúdio ME. Lembrando agora neste exato momento enquanto escrevo, foi uma feliz coincidência contar com os serviços do Ed na festa de 1 ano do Coletivo Cultcha. O Ed, como o Felipe CDC (Terror Revolucionário) já me falou uma vez brincando, em muitas ocasiões salvou o rock de Taguatinga com seu estúdio. Além do mais ele foi o cara que apertou o “Rec” na coletânea do Coletivo Cultcha lançada há um ano. Portanto o Edmilton, este senhor punk pai de família, está ligado diretamente a historia do Coletivo Cultcha!

Conversa vai, conversa vem, decido ir ao Carrefour atrás de benegripe ou qualquer coisa semelhante, pois estava começando a ficar doente nesta noite. Aproveito e como alguma coisa com os meus chapas de bandas além de jogar conversa fora e contar piadas maldosas a respeito do goleiro do Flamengo, mas isso não é importante. Retornando ao bar, as primeiras pessoas começam a chegar. Nanrery já estava com a barraquinha de produtos do Coletivo Cultcha ajeitada e tomando sua caipirinha. Os caras do Gilbetos Come Bacon, que tinha chegado mais cedo, já estavam com tudo montado no palco, só esperando a hora de começar a tocar. O único atraso que estava rolando era dos DJs que iriam comandar o som da noite, tanto o Boscox & Alice quanto o Juru (Perde a Linha). Mas aí a figura salvadora do Ed aparece mais uma vez, e o cara sapeca altos AC/DC nos falantes enquanto os DJs não chegam. Vida longa ao Edmilton!


Em instantes o Juru chega e começa a discotecar vários sons sagazes. Eu pessoalmente gostei do set do cara, rolou muita coisa fina de Funk e Rap (obs: quando falo Funk me refiro ao autêntico FUNK, e não ao funk carioca bundinha) e de música brasileira também. Apesar da maioria dos presentes serem roqueiros, eu senti que a galera curtiu o som também. Enquanto o Juru manda ver, me sento em uma mesa pra ficar mais na minha e controlar a ansiedade que nessa noite era mais que o normal. Quem me conhece bem, sabe o quanto eu sou tímido e sempre antes de tocar eu costumo ficar uma pilha de nervos. Principalmente por ser o vocalista e de certa forma, a maioria das atenções ficarem voltadas para mim. Então eu realmente preciso ficar quieto na minha me dizendo: “segura a tua onda e não fode tudo”.


Por volta das 23h15 o Gilbertos Come Bacon começam a tocar. A primeira vez que vi um show dos caras foi no festival Martelada promovido pelo Coletivo Esquina nesse ano. Pirei com a presença de palco e o som da banda. Me lembro que pensei no ato: “ a gente tem que convidar esse povo pra tocar no Cultcha”. Passado alguns meses lá estão eles mandando ver e o que ainda era mais foda pra mim, no lançamento do EP da minha banda. Com dois Dreadlocks-HC-Mc-Da-Pesada nos vocais e uma parede sonora percusiva, o Gilbertos tem provavelmente um dos shows mais empolgantes e energéticos de Brasília, show de levantar defunto! Fica um pouco difícil pra eu citar um destaque na apresentação, mas eu gostei bastante das levadas do batera Márcio e das linhas de baixo da Camila, principalmente na musica “Sem Verdade” formando uma verdadeira cozinha de respeito pra guitarra marota do Moisés. Outro destaque da noite foi o solo de percussão na música “Minha Casa” e o final arrasa quarteirão com “Gilbertos”.


Terminado o show do Gilbertos, chega a hora do Valdez entrar em ação. Ligo meus pedais, ajeito o microfone na minha altura, olho pro Everaldo e pro Sérgio pra ver se eles também estão prontos, então pau na máquina! A gente abre o show com uma Jam instrumental psicodélica ainda sem nome. A essa altura todo aquele nervosismo que eu estava sentindo aos poucos foi se desfazendo e mais ou menos na hora de “Estéreo Combustão”, já estava me sentindo mais a vontade. Não queria me prender muito a apresentação do Valdez, pois seria mais ou menos ficar lambendo o próprio saco. Basta dizer que tudo correu bem e quem assistiu talvez dê um parecer melhor que o meu. Porém, gostaria de dizer algumas coisas sobre o que esse show de fato significou pra mim:


O Cultcha funciona na base da amizade. Isso nos faz relevar muitas coisas e a tentar equilibrar as diferentes personalidades existentes em um grupo tão diversificado de pessoas. Então o importante pra mim foi tocar e olhar entre a galera que estava curtindo o show, um cara como o Davi Kaus - Ainda me lembro quando conheci o Davi pela primeira vez em 2003 em frente ao Estúdio Marssal. Ele usava uma camisa toda fudida do show de reunião do Little Quail and the Mad Birds, eu perguntei: “você foi no show?” e ele me disse: “Não, achei na rua” Quem diria que aquele cara se tornaria um dos meus melhores amigos e um músico no qual tenho o mais profundo respeito e admiração. Importante também foi ser encharcado de cerveja pelo Michel Aleixo e Ennio Villavelha (o que me rendeu vários choques até o final da apresentação), dois caras que conheci também mais ou menos em 2003 e tive a honra de ajudar a organizar o primeiro show do River Phoenix em 2004, muito antes de qualquer idéia de Coletivo e partir daquilo ali colecionaríamos várias histórias pra contar. Enfim, não vou falar dos amigos um por um, senão fica muito extenso o texto, mas tenho certeza que eles também sentem a mesma coisa que eu sinto.


Terminamos o show do Valdez com um cover dos Stooges, Search and Destroy, o que rendeu vários “montinhos” entre a galera. Guardo as minhas coisas enquanto Boscox & Alice comandam a discotecagem da noite botando a galera pra balançar os quadris. Neste exato momento escrevendo estas palavras e revendo as fotos da noite, o que eu tiro disso tudo é que além da amizade, o que mantém o Cultcha é o amor pela música. A quem gosta de politicagens que fique com seus conchavos políticos, o nosso lance é empunhar uma guitarra e fazer rock como se não houvesse amanhã. Se vai durar muito? Quem se importa! Parafraseando o personagem do Bill Murray no filme Flores Partidas (Jim Jarmusch, 2005): “O passado é passado, o futuro ainda não chegou. O que importa é o presente”. Morra jovem fique bonito.


Todas as fotos são de Andreia Cristinne Aguiar - Lumière Estúdio. Sessão completa no orkut do Cultcha: AQUI

Um comentário:

  1. Woah!
    Foi foda demais essa festa show comemorando a primavera primeira do Coletivo Cultcha! Som de prima, bandas idem, galera se divertindo e pá... enfim, foi lindo!

    Essa frase do Lou é foda: "Rock n roll é tão fabuloso, as pessoas deveriam começar a morrer por ele..."

    Resenha supimpa, sem melancia no rabo!
    Rooock!

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