terça-feira, 23 de março de 2010

PERIFÉRICO E COLETIVO - ROCK FORA DO EIXÃO

"Darei prioridade para a periferia, porque para burguesia a Globo já faz" - Gil Macedo


Michel Aleixo


Mesmo sendo uma associação de músicos, o Coletivo Cultcha tem como princípio regente, a vontade de apoiar todo tipo de arte underground. No próximo sábado, dia 27, o Cultcha promove sua primeira Noite Fora do Eixo, evento padrão de todo coletivo associado ao circuito. Nesta edição de abertura, o Cultcha chamou três bandas da Ceilândia que estão lutando no fronte do rock independente há um bom tempo, bem antes da existência do conceito de coletivo musical que se tem hoje.

Convidamos também o cineasta e músico Gil Macedo, para exibir seu documentário Rock Ceilândia – Periférico e Coletivo, que participou da Mostra Brasília Digital do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme trata da cultura musical, em especial o movimento rock existente na Ceilândia, cidade que há muito, aglomera uma grande quantidade de bandas. Através de depoimentos de alguns produtores de festivais – como o Ferrock, na ativa há mais de vinte anos –, exibição de fotos de grupos da cidade em suas mais variadas vertentes e entrevistas com alguns nomes representativos do cenário atual, Rock Ceilândia – Periférico e Coletivo é um belo esforço de produção nos moldes “faça você mesmo”, um braço extra para sustentar o pilar do rock feito por gente que prova que “Rock Brasília”, é um conceito muito mais abrangente do que alguns marqueteiros costumam proclamar. A seguir uma entrevista com o realizador.



Cultcha: Gil de onde veio a ideia para fazer o documentário?

Gil Macedo: Sou músico e morador da Ceilândia, aqui não temos espaços suficientes para as bandas tocarem e mostrarem seu trabalho. Sempre achei que, pelo fato da Ceilândia ser periferia, as outras pessoas desprezam as bandas daqui porque acham que na cidade só tem rap. Então tive a ideia de mostrar as bandas de rock, produtores de shows, produtores musicais e falar um pouco sobre a história da cidade, como mostra o começo do filme. Simplesmente foi uma tentativa de divulgar as bandas porque tem gente aqui que faz rock de qualidade há um bom tempo.

- E a parceria com o Cultcha? É uma boa exibir filme num show de rock?

- Acho maravilhoso mostrar a cultura em geral. Teatro, poesia, sarau, cinema, tudo é lucro, hoje temos artistas bons de todas essas áreas. Por exemplo, eu tocava em bandas, mas agora faço cinema, uma coisa puxa a outra. É legal o coletivo ser eclético culturalmente.

- Você tem pretensões em continuar documentarista? O que você acha mais difícil realizar, música ou cinema?

- Sinceramente, música pra mim é mais difícil, porque mexe com o ego dos músicos, que são pessoas meio ególatras. Nem sempre todos estão na mesma sintonia ou querem o mesmo objetivo com uma banda. No cinema, faço o que quero, porque sou o diretor e escolho o trabalho que vou fazer. Também tenho mais tempo para produzir um filme, enquanto que na música, há um certo tipo de pressão. Quero continuar sim, estou apaixonado por essa área justamente porque dei uma frustrada na minha vida musical.

- E quais são seus projetos futuros nesse meio?

- Produzir curtas, longas, participar de todos os festivais pelo Brasil, inclusive todas as edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro daqui pra frente [risos]. No momento, estou produzindo um documentário sobre a Feira do Rolo aqui na Ceilândia. Darei prioridade para a periferia, porque para burguesia, a Globo já faz.


1ª Noite Fora do Eixo Coletivo Cultcha

Com as bandas:
Vitalógica
Besouro do Rabo Branco
Terno Elétrico

E a exibição do documentário:
“Rock Ceilândia – Periférico e Coletivo” de Gil Macedo


Sábado, 27 de março às 21h.
Entrada R$ 5,00. (Dose dupla de caipirinha por R$ 4,00 até meia-noite).
No Bar Água de Beber (QS 3, Lote 15, Pistão Sul, em frente ao Carrefour de Taguatinga Sul).

Realização:
Coletivo Cultcha (www.coletivocultcha.blogspot.com)

Apoio:
Roche Motores
Circuito Fora do Eixo

Informações: coletivocultcha@gmail.com 8405-2190 ou 8530-2833


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