sexta-feira, 26 de março de 2010

Feliz aniversário, Manfredini



Por Davi Kaus

Letras, letras, letras... L-E-T-R-A-S. Paixão, sinceridade, sentimentos descritos, tais quais saindo da boca de Sócrates ou de um mendigo da sarjeta.
O Renato (falando assim até parece o conheci. De repente sim...) seguiu a odisséia romântica dos poetas malditos: doença, amores confusos, vícios, tentativa de recuperar a sanidade perdida pelo excesso (ou a vontade) de intimidade com o espelho. Mas, com certeza, ele também ria de piadas idiotas, pensava nas contas pra pagar e, à noite, antes de dormir, imaginava pra onde sua vida estava indo, peidava fedido, essas coisas...
Ele faria 50 anos hoje. Imagino como seria se ele ainda estivesse vivo: mais pra Lobão ou mais pra Dinho Ouro Preto? Essa pergunta idiota, deixem pra lá...
O importante é que o Renato é um artista que conseguiu popularizar a profundidade de emoções sem soar arrogante ou pedante. Ele é intelectual e acessível. E as letras são só uma parte dos seus méritos: o timbre de sua voz, seu alcance vocal (vide Vento no Litoral); músicas sem refrão, mas com construções interessantíssimas (qual o refrão de Há Tempos?; Faroeste Caboclo foi sucesso radiofônico. Que tal?...).
Muitos criticam as composições do Renato (e da Legião como um todo) argumentando que são simplistas musicalmente. Aí eu fico com uma frase bem legal que diz que não se pode confundir simplicidade com futilidade, nem complexidade com dificuldade. Pensem em John Merrick com uma flor na mão.
O Renato é o exemplo de como as coisas devem ser viscerais em todos os aspectos, mais ainda na música. Ele não foi poser. O intuito não era vestir um visual, subir no palco, fazer o show, ter a sensação sacana de ter enganado o público perfeitamente e ir pra casa com a grana no bolso e a venda nos olhos. Era falar sobre coisas normais que todos vivem, mas sob um aspecto que desvenda algo, tal qual um poço cheio de significados que amplificam a vida. Sem precisar ser formado em Filosofia pra isso.

Feliz aniversário, Manfredini...

2 comentários:

  1. Davi,
    O Renato era mesmo visceral. Para o bem o para o mal era sempre ele mesmo, e, liberdade é coisa complicada dizia ele.

    Abraços,

    Força Sempre!

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