quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

RESENHA PORNOVINTAGE


Texto de Ennio Villavelha
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar



22 de dezembro do ano de Vosso Senhor de 2009. 03:54am


“Se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe”. Henry Miller

Para todo o efetivo do Coletivo Cultcha o ano foi de total inclinação ao aprendizado: como adquirir as competências específicas para poder tornar este organismo cada vez mais forte a qualquer antibiótico que queira condicionar a coceira destes cães. Seguramente cada evento se mostrou mais cheio de contornos de maturidade profissional, integrando amplamente todos os recursos possíveis para promover um nível de organização que pendesse a um clima bom para o músico e para a audiência; sem nenhuma institucionalização à terceiro setor burocratizado ou qualquer dessas palavras da moda. Ano chapa branca e neste momento abraçando uma empreitada valiosa com a agência Fora do Eixo.

Os assuntos são muito difusos entre abusos de álcool, tabaco, audição, xxxxxxxx, xxxxxxxxx, xxxxx, pequenos desgastes entre relações pessoais, hematomas e sede na madrugada. Dito isto somente para dar a devida importância a estas ordinárias e naturais atuações humanas, é saudável admitir perspectivas para aprender a lidar com o outro, consigo mesmo e trabalhar como alcatéia que se protege. São essas coisas que dispersam os nojentos-bullshit e mantém os nojentos-apaixonados que se respeitam no mesmo nível, independentemente da temperatura. Mais reflexões deixemos para as mesas de boteco.

Vamos à resenha:

Cheguei no Botequim Blues cedo em relação ao horário do show, mais de três horas antecediam ao que seria a última barulheira do ano produzida pelo Coletivo Cultcha. Alguns empregados dando os últimos retoques na bilheteria e no chiqueirinho dos fumantes, chiqueiro também daqueles que querem respirar um ar arsênico-naftalinado dos cigarros alheios. Ao lado da porta do hotel adjacente uma dama-da-noite, andando de um lado para o outro, fazendo finesses para os passantes, vestindo apenas uma tarja preta que seguia aproximadamente cinco dedos abaixo do capô e dois dedos acima dos faróis. Logo que entro encontro o engajado Alysson Diego, sentado e sozinho refletindo, um verdadeiro Pensador de Rodin, só que a mão no queixo desceu para o saco, ficamos conversando pérolas altruístas e egocêntricas enquanto a outra leva da equipe trazia alguns objetos que faltavam. Creio que é a primeira vez que chego ao local do evento e encontro o palco pré-montado, já quase totalmente encaminhado. Normalmente meus calos de relaxamento manual participam de todo o processo de montagem e passagem de som. E, já no tema, esta montagem foi um pouco trabalhosa por conta detalhes que não percebemos logo de cara. Um cabo conectado no local errado e outro não embocado bem na fêmea correspondente. Eu e Davi Kaus decifrando o pequeno emaranhado no escuro ao lado da mesa de som, nada de mais, porém causou uma perturbação. Além do pequeno choque que sofri ao religar um detalhe na iluminação. Foi gostoso igual a choque que gado toma no lombo.

Nesse meio tempo as bandas foram se aproximando, reconhecendo o ambiente. Somente a Brown-Há checou o som. A essa altura os retornos já haviam amansado, com os cabos em ordem, faltando apenas assentar o monitor individual do Dennis-Vocal-Os Inimitáveis, segundo o próprio “tem a finalidade de conter uma surdez progressiva”, faz bem.


Por volta de 00:00 a Brown-Há subiu no palco. Foram eles que apuraram os ouvidos da rapazeada para se aproximarem. Chegaram por volta de dez pessoas, que se somaram a mais dez que se somaram a tantas outras mais que estavam querendo acompanhar a ocasião. Fernando-guitarrista ostentava acima do cubo um peculiar Bart Simpson, ofuscado apenas por uma clássica Richenbaker que empunhava. O show foi rolando, percebi algumas influências evidentes, anos 70, Brit Rock, por exemplo. O que me pegou de acometimento foi o trecho de uma música: “Eu quero viver de Rock ‘n Roll!Tchan tchan tcharam tchan tchan tcharan nan!”. Entrei em paranóia delirante, por estar nessa há tanto tempo e não ganhar nenhuma balinha 7 Belo; não posso nem me dar ao luxo de “querer viver de rock n’ roll”, me contento em deixá-lo somente como ópio por enquanto. Destarte o show foi rolando, achei muito apropriado para a banda o estilo de execução do Rodrigo-baixista, dando a pulsação necessária para as ênfases nos detalhes de cada música. Foram bastante competentes, uma boa apresentação. Fez valer os comentários que já fazem na cidade.

O silêncio perdurou estranhamente por uns instantes após a apresentação da banda, por conta um detalhe técnico, até que o disc-horse-jockey Lapão da Lapônia voltasse a ajoelhar e rezar com as falanges no play, para os esqueletos rebolantes continuarem a bebericar animados. Agradável é ver sempre novos rostos nos eventos; isso torna evidente a formação de um novo gosto, diferenciado por assim dizer, e da influência do Coletivo na geografia da noite em Taguatinga. Houve até uma caravana de estudantes. Me fez lembrar do biomecânico Silvio Santos e do seu auxiliar Roque, no nosso caso o Rock, personificado no Everaldo que teve a sacada de arrastar o time pra se divertir. Troca de palco, lá estou com meus parceiros para botar a próxima banda no páreo. Não somos gênios do áudio, mas somando a gente da quase o cérebro do Jack Endino, se não der o cérebro talvez dê a glande. Mas chega de trocadilhos infames.


Os Inimitáveis estavam com um semblante de cansaço. Ficaram por ali vagando amistosamente, vendendo seu material que parte ficou no bar, disposto entre as garrafas de destilado, até serem convocados a iniciarem a tão aguardada apresentação. Sem dúvida o longo percurso Cuiabá Brasília é desgastante. No momento que antecedia o início da bagaça, baixou algum Pazuzu que certamente vagava nos anos 60 entre os músicos da Jovem Guarda. Totalmente alinhados em seus ternos, o outrora semblante de cansaço foi transfigurado em cara confiança e de satisfação por darem início show. Tocaram seu material muito divertido e sagaz. Por um momento – sem demagogia – me peguei vendo uma super banda com gosto de banda baile + Rock + Jovem Guarda+ algum outro elemento que não sei definir, mas que me fez muito bem e fez muito bem a todos os presentes. Uma unanimidade recreativa, classe A. Não vou aqui encher de lantejoulas. É só dar uma rápida procurada que se encontrará fãs lustres-ilustres da banda: Paulo Ricardo, Wander Wildner, Beto Bruno, Dinho Ouro Preto, Supla, Sérgio Mota e aquele vocalista do Bikini Cavadão. Entre “Vésperas” e “Mulheres de Cabaret”, tocaram ‘O Portão’ do grande leão domesticado, o Rei consorte Roberto Carlos. Fiquei imaginado “meu cachorro me sorrindo latindo”. Até hoje tento decifrar que porra é essa. É tão poético, lindo e tão bizarro em contrapartida, amo essa canção. Enquanto o Dennis se esganiçava no refrão, um camarada – Rick – conseguiu um óculos, o colocou no rosto e sem o tirar completamente ficava subindo e descendo entre a testa e os olhos, entre o míope turvo e o normal, feito uma peste louca, do início ao fim da música. E lembrando, ele não tem problemas na visão. Poderia certamente ser uma personagem do Monty Python. Foi um show excelente.


Após o interlúdio, sobrou a ‘responsa’ para os patrícios d’Os Dinamites, que não deixaram por menos. Chegaram rasgando. Senti falta do upright bass, o vulgo rabecão, característico de bandas Hillbilly-Rockabilly, é considerado como um membro da banda por muitos. Fostom Prison do Johnny Cash ganhou uma parceira em DCA Prison Blues, uma a alusão à Delegacia da Criança e do Adolescente, é para onde vão os malfeitores do DF que não completaram 18 anos, mas cometem crimes de igual ou maior natureza dolosa que os veteranos na área. Uma versão competente de um clássico que animou os agora já bêbados da turma da cabeceira, que continuaram abraçados. Foi bom reencontrar o Felipe Ipe Uha-baterista, um velho chapa de cervejada. Abandonou as quatro cordas, mas botou pra moer nos tambores com síncope agarrada no tempo forte, engrossando outros temas como ‘Rei do Rock’ e ‘Cowboy de Entrequadra’. Muitas bandas ao vivo dão mais frescor ao disco, e nesta referida noite foi o caso. Claro que sem denegrir o material gravado; recomendo como das melhores no segmento em Brasília.


Mais uma noitada de sucesso dos atletas sexuais do Coletivo Cultcha. Encerro aqui este breve panorama ‘highlights’ ou coisa do tipo. Aos cristãos, macumbeiros, pagãos, bichas, judeus, diplomatas, travestis, solitários, taenias, parasitas, monges, grávidas lindas e todas as outras categorias que usam a música para transcender – menos a OMB –, deixo aqui nossos cumprimentos cordiais.

Boas Festas! Rock Sempre!

domingo, 13 de dezembro de 2009

PORNOVINTAGE


Salve amigos! na próxima sexta, dia 18/12, será realizado o último evento do Cultcha no ano, mais uma vez no Butiquim Blues Praça do DI, Taguatinga Norte, a partir das 22 horas. As atrações serão Brown-HÁ, Os Dinamites e Os Inimitáveis (MT). A entrada será a R$ 7. A seguir um raio X das bandas que vão incediar a noite do Coletivo Cultcha. Nós vemos lá!

BROWN-HÁ


Elétrico, dançante, intenso, divertido, contagiante. Essas são algumas definições atribuídas ao quinteto brasiliense Brown-há. A banda, formada em 2005, vem se destacando na cena local com um rock n’ roll autêntico e energético, resultado das mais diversas influências de seus integrantes, que vão do rock britânico atual ao rock setentista que marcou época. O Brown-há é formado por Fernando Jatobá (Guitarra/Vocal), João Paulo (Vocal), João Henrique (Guitarra), Rodrigo Serpa (Baixo) e Ricardo Jatobá (Bateria). A banda possui um Ep lançado em 2008 com seis faixas e mesmo com uma agenda de shows intensa, já prepara um lançamento para o ano seguinte. A seguir uma entrevista com Fernando Jatobá, guitarrista da banda.

www.myspace.com/brownha

ENTREVISTA

CC: A banda já tem quatro anos de estrada e um EP lançado. Pra quem não conhece ainda fale um pouco desse EP.

Fernando Jatobá: Nossa banda possui 4 anos de formação, como vocês já citaram, e ano passado (2008) resolvemos entrar em estúdio para gravar algumas músicas, já que um material físico bem feito começou a ser necessário uma vez que os shows estavam ficando cada vez maiores e mais frequentes. Juntamos uma grana e gravamos 6 faixas em uma semana diretão pra poder então começar a mostrar mesmo nosso trabalho para as pessoas. Mil cópias foram feitas. Hoje não temos mais nenhuma em mãos. Em Janeiro pretendemos entrar em estúdio novamente e gravar mais algumas músicas novas, provavelmente lançando somente pela internet e disponibilizando-as para download (assim como nosso EP) para então no meio do ano que vem ou final, gravar um “Cdzão” mesmo.

CC: Vocês junto com o Enema noise, Cassino Supernova e Tiro Williams (bandas que já participaram de eventos do Cultcha anteriormente) integram o Coletivo Esquina. O que mudou pro Brown-HÁ depois que passou a integrar o Coletivo Esquina?

Fernando Jatobá: O Coletivo Esquina é muito novo ainda. Resolvemos nos juntar para tentar mudar e movimentar a cena de música principalmente, independente da cidade. Muda muita coisa entrar em um coletivo. Desde as reuniões para decidir eventos e organizações internas, até fazer contatos com outras cidades e outros coletivos. Hoje nós temos contatos no país inteiro, tendo a chance de mostrar nosso trabalho para mais e mais pessoas. O Coletivo abre portas para que você mostre o seu trabalho tanto na cidade como fora. Para que isso aconteça é necessário muito trabalho na cidade, mostrando para todos que você quer mudar o cenário e ajudar a música independente. Como o Coletivo é muito “jovem” ainda, estamos com mais projetos mesmo para o ano que vem (2010), mas a entrada da banda no Coletivo (praticamente fundando o Coletivo com as partes que vocês já citaram) já esquematizou muita coisa pra gente. Só esse ano fizemos shows em Cuiabá/MT, Novo Hamburgo/RS, Inhúmas/GO, Anápolis/GO, Goiânia/GO, Uberlândia/MG entre outras cidades. A partir do momento que você mostra interesse em ajudar a música independente tanto em sua cidade como fora e quando sai e mostra um trabalho com qualidade, convites vão surgindo e a banda vai crescendo dessa maneira.

CC: Como estão as expectativas da banda pra tocar no dia 18/12 em Taguatinga?

Fernando Jatobá: Expectativas grandes para tocar dia 18/12 uma vez que será nosso primeiro show no Botequim Blues com os parceiros do Coletivo Cultcha! Ficamos sabendo que vamos dividir palco com Os Dinamites, uma banda muito boa da cidade e os grandes amigos cuiabanos Os Inimitáveis. Uma noite que promete muito rock’n roll da parte de todas as bandas. Já vi shows das duas outras bandas e garanto que ninguem consegue ficar parado, assim como no nosso show, só podemos prometer música boa e uma noite regada de rock’n roll para todos!! Para aqueles que quiserem ficar por dentro de tudo sobre Brown-HÁ, é só entrar no nosso myspace (www.myspace.com/brownha) ou nos seguir no Twitter (www.twitter.com/brown_ha) ou nos conhecer no Blog Brown-HÁ onde relatamos todos os shows e viagens (www.brown-ha.blogspot.com) . O lema da banda é um só: viver de rock’n roll!

OS DINAMITES


Misture Rock and Roll, topetes, muita diversão e acenda o pavio! Está feita a combinação nitroglicerinada da banda Os Dinamites! Um Power trio formado por Lucas Billy (contra-baixo acustico e vocal), Danny Boy (Guitarra) e Felipe Ipe Uha (Bateria) que invadiu os palcos em 2007, e se destacou com um Rockabilly explosivo e original. Com hilárias composições romântico-canastronas flambadas a Whisky e versões dos mestres dos anos 50, a química é certa: muita diversão vinda de cima do palco, resultando em um show energético e dançante. Com um Ep na bagagem que pode ser baixado diretamente no link mundodastrocas.blogspot.com/search?q=os+dinamites, a banda vem ganhando espaço na cena rock brasiliense e nacional, e promete muito mais pela frente.

www.myspace.com/osdinamites

ENTREVISTA

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

Os Dinamites: Achamos que esse tipo de iniciativa é o que falta aqui em Brasília, isso é saudável para o Rock local e nacional. Pessoas como vocês tem que existir pra que o rock continue fazendo sentido, e nós apoiamos e queremos contribuir com tudo que for possível.

CC: Quais são as maiores dificuldades que Os Dinamites enfrentam na cena independente local?

Os Dinamites: Uma das grandes dificuldades tem sido conseguir um bom produtor, ou uma produtora, para cuidar dos “negócios” da banda. Pois sem essa assessoria as coisas ficam bem mais difíceis em todos os sentidos, desde lugares para tocar, contatos, até a produção de um CD, principalmente em Brasília, onde as panelas elitizadas do rock predominam, mas é claro que aos poucos isso vem mudando. Até hoje estamos caminhando sozinhos, mas sabemos que na hora certa vai aparecer alguém.

Mas a iniciativa de algumas pessoas nos fazem mais ansiosos para tocarmos um som empolgado e divertido, existem eventos grandes em Brasília, mas eu acho que eventos ligados ao Rock`n`Roll em geral, são poucos, porque querendo ou não, nosso público é o mesmo público de varias outras bandas, não existe um público especifico, mas o que tem, é sempre muito empolgante.

CC: O que as pessoas de Taguatinga podem esperar da apresentação de vocês, no dia 18/12?

Os Dinamites: Depois de vários meses em casa se preparando pra voltar, Os Dinamites trarão em seu repertório além de músicas e covers novos, muita empolgação nessa “reestréia”. E podem preparar seus esqueletos, porque vamos botar pra quebrar.

OS INIMITÁVEIS


A banda oriunda de Cuiabá no Mato Grosso, começou suas atividades em 2007 fazendo releituras da singela Jovem Guarda e em menos de 1 ano já haviam mais de 100 shows na bagagem, não demorou muito para criarem um repertório próprio. Com performances cheia de energia no palco e músicas irreverentes fáceis de cantar, o show se torna um prato-cheio para diversão. Em janeiro deste ano lançaram o primeiro single: Mulher do Cabaré, com mil cópias espalhadas pelo país com um encarte que remete ao compacto vinil. Em julho lançaram o single Véspera, também com um encarte charmoso e ainda realizaram um lançamento especial com a participação dos Brothers of Brazil (Supla & João Suplicy), que depois resultou em uma mini-tour por Mato Grosso. Os Inimitáveis vem percorrendo os festivais independentes com o Grito Rock de Cuiabá-MT e Londrina-PR, Bigornada de Campo Grande-MT, Eu Quero É Rock de Ji-paraná-RO e o mais recente e importante, Festival Calango, onde receberam boas críticas ao lado de grandes nomes da música independente. Vejam o show e tirem suas próprias conclusões!!!

www.myspace.com/inimitaveis

ENTREVISTA

CC: E aí caras, essa vai ser a primeira vez que vocês vão tocar no Distrito Federal?

Os Inimitáveis: Olá moços, será nosso segundo show na capital do país. O primeiro aconteceu em outubro de 2008, na UK Brasil. Mas esse show será muito especial pra gente, pois estamos muito mais concisos no trabalho que estamos fazendo hoje.

CC: Falem um pouco sobre como é a cena de Cuiabá?

Os Inimitáveis: Eu não sei se é culpa do calor que chega até 45º na sombra, mas o fato é que a HELL CITY, como é conhecida Cuiabá, está dando bons frutos a cada dia que passa. O Espaço Cubo, Volume e o Sindicatto cada vez mais com eventos profissionais e ações que servem de vitrine para todo país. O surgimento de boas bandas também tem acontecido com freqüência e cada vez mais o engajamento delas na consolidação da cena está sendo maior.

Aproveitar e mandar um beijo aos lindaços da MACACO BONG, RHOX, SNORKS, N3CR, VIETCONGS, RAIVA EM PAZ, SUPER URBANO, VENIVERSUM e aos tantos outros cheirosos que fazem nossa Hell City esquentar ainda mais.

CC: O que a galera de Taguatinga pode esperar do show dos Inimitáveis no dia 18/12 em Taguatinga?

Os Inimitáveis: Sim, estaremos de terno... hahaha. A Inimitáveis é uma banda que funciona ao vivo. A galera do Valdez e Brown-há sabem do que estamos falando.

Vai ser um show muito divertido. Neste momento estamos roendo as unhas para o festival Fogo No Cerrado que acontece em Campo Grande-MS, de lá partiremos para shows em Vilhena e Porto Velho-RO e só depois Brasília, ou seja... Estaremos transpirando rock ‘n’ roll.

Caso queiram esquentar a cidade... hahaha. Acessem www.inimitaveis.com.br

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

RESENHA SIAMESE TWINS PARTE II



“Se radicalizarem comigo, também vou radicalizar.” – José Roberto Arruda, Governador


Texto de Michel Aleixo
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar


E então Almirante, o que dizer das últimas semanas em Brasília? Pannetones, meias com notas de 50, um governador fajuto e mais uma vez comprovamos que somos representados por uma Câmara Legislativa mais maculada que a Bruna Surfistinha. Mas isso é outro assunto. Enquanto isso, o Coletivo Cultcha segue firme e fortalecido, obrigado. Como você leu no post abaixo, nos dias 13 e 14 de novembro aconteceu a primeira dose dupla de shows realizada por ele.

Continuando de onde o Calouro parou, os microfones sobreviveram à fúria do “de menor” Lamin e com bolsas nos olhos, a equipe Cultcha recomeça a tarefa de sísifo de prover som, luz e tietagem de qualidade para as bandas do segundo dia: Tiro Williams, Leda e o Evening, o primeiro grupo de fora do quadrilátero federal recebido pelo Coletivo.

O Tiro Williams são os primos. O show é obviamente baseado em seu primeiro disco, produzido por Gustavo Bill do High High Suicides em seu estúdio Macaco Malvado. O trabalho resenhado por Igor Silveira, do Jornal de Brasília como "um disco ensolarado, ideal para ser ouvido em uma viagem de carro, em direção ao litoral", é com o perdão do trocadilho, um “tiro” certeiro, sendo considerado por muitos um dos lançamentos mais celebrados do rock de Brasília neste ano. Ao vivo o quarteto é sucinto. Trocando de instrumentos o tempo todo e com uma Fender Jaguar que servia de televisão de cachorro para os guitarristas da platéia, os caras condensam Superguidis, Strokes e Pavement, fazendo aquele naipe de rock tido hoje como o mais moderno da praça. Pra mim, o ponto alto do show é a inspirada música Sal Paradise.


“O show foi do caralho! A gente tava desanimado porque estávamos num churrasco mais cedo, já chegamos cansados. Mas colocamos as guitarras no máximo e acho que nosso desempenho foi até inesperado”, conta Eduardo. “Não sei se foi porque a gente tava bêbado, mas foi um dos nossos melhores shows. Geralmente o pessoal fica paradão, mas aqui todo mundo agitou. – “O Cultcha está sempre de coração aberto”, eu disse. – “Tava tão bom que o cara avisou que era a saideira e eu não sabia se ele tava falando da cerva ou da música”, acrescenta o baterista Artur. A banda também representa um Coletivo: “Sim, a gente faz parte do Coletivo Esquina que é, digamos assim, o braço de Brasília do Circuito Fora do Eixo, e todo esse lance que está rolando é essencial pro cenário daqui. Não só Plano Piloto, Taguatinga também e todas as satélites”, afirma o guitarrista Moraes. “Não é só porque é rock que é só diversão. Tem que ter a parte administrativa, correr atrás, achar onde tocar, investir dinheiro em cima”, conclui.

Para o segundo round, clima melancólico no ar. O Leda está se preparando no palco para o show anunciado como a despedida do guitarrista Maurício Kozak, de mudança para Curitiba. Certamente por isso, a apresentação foi uma das mais inspiradas que já vi da banda. Fúria e feedback. Nem o baixo deixava de fazer microfonia, num kaus consonante e dissonante ao mesmo tempo. Sem falar da cereja do bolo: o wah wah do Mauricio que mais uma vez, deixou a Trompa de Eustáquio de todos os presentes com uma semana de ressaca. Antes da última música, Davi se declara para Mauricio que não contém as lágrimas e quase não consegue cantar a saideira, foi um momento doce. Imediatamente me vieram como trilha sonora, alguns versos da música Baby Come Home que acabara de ser executada: “I walk in a empty road, saying things that nobody want to hear. But I wish, I wish, you were here.”

Encontro Davi e Maurício lá fora para registrar ainda quentes, suas impressões. “Show emocionante hein!”, digo empolgado, emendando: “E aí é o fim da banda mesmo?”. Um silêncio de infinitos três segundos me faz perceber que naquele momento, o tema é desconfortável. Os dois disputam um “quem pisca primeiro” tentando ver quem consegue abdicar da resposta. Maurício cede: “Cara, a questão é que distância é sempre um problema, mas assim, tenho que encarar as coisas em Curitiba primeiro, mas por mim a banda não terminava, tem tudo a ver, as pessoas gostam da gente”. Mudo a direção do meu taco, falem do show: “O show foi ótimo, o Caju [baixista] estava encapetado. Eu quis fazer um show especial em homenagem ao Mauricio”, diz o Davi. Que se declara mais uma vez ao parceiro: “Cara o Mauricio é o mentor musical do Leda. Ele que deu a direção da banda, esse lance guitar band, shoegaze e tal, então a internet ta aí, ele pode mandar idéias, podemos mandar coisas pra ele, não tem porque terminar”. – “Ele vai levar o wah wah né, o quinto elemento da banda”, interfiro. “Sim, ele vai levar o wah wah que é a parte alta de Baby Come Home, o pedal é o George Martin do Leda”, completa Davi, arrancando gargalhadas. “Mas a gente vai continuar. É muito bom o Leda, bom demais”.

Davi precisa assumir seu ofício de operador da mesa de som e fico sozinho com o Mauricio. Digo que me lembro da reunião de criação do Cultcha, em que ele somou sua experiência em empreendimentos similares e teve naquele momento, um papel essencial no direcionamento que o Coletivo precisava. “Agradeço muito a consideração de todo mundo, a compreensão dos meus por quês e continuo achando que a idéia [coletivo] é muito boa e espero que ela se estenda para outros campos da cultura. Acho que o Cultcha pega o rock como priori agora porque é um processo de amadurecimento. Mas tenho certeza que com o gás de todo mundo, o Cultcha vai vingar e muito”, ele diz.

Lá dentro começam os acordes dos anapolinos do Evening. Subitamente, a atmosfera do Botiquim pega a BR 060 sem escalas. Estamos todos no Centro Cultural Martim Cererê, Goiânia. Não tem jeito, esses goianos têm um timbre muito característico, sem falar na tendência de cantar em inglês e soar como o rock anos 90 em seu período boreal. Deve ser o arroz com pequi, sei lá. O que vale é que o power trio soa sujo e forte, stoner do puro suco, com um baixo de muita presença. Como não podia ser diferente, a moçada delirou. Eles tocaram todo o set programado, a turma pediu bis; tocaram mais uma trinca, inclusive uma música nova, e outro pedido de bis; o jeito foi encerrar com Queens of the Stone Age e Mudhoney; só aí todo mundo se sentiu saciado.

“Primeira vez aqui no DF, melhor ainda, em Taguatinga, massa pra caralho! O público curte um som pesado, receptividade muito foda! Tocamos as nossas músicas quase todas, pediram cover, mandamos música que a gente nem toca no nosso repertório, experiência do caralho!”, resume extasiado o guitarrista Leonardo. Sobre o sotaque musical das bandas de Goiânia, o baixista Paulo acha que faz sentido: “Com certeza tem essa influência do rock goianiense mesmo, o rock da capital de Goiás. A gente gosta muito, sempre acompanhamos os festivais lá, Mechanics, MQN, Black Drawning Chalks, rola influência total!”.

Falando de negócios, pergunto como foi pegar a estrada, a recepção do Cultcha. “Anápolis é pertinho, massa demais. A galera recebeu a gente super bem”, afirma Leonardo. “A gente tem o Coletivo Pequi, estamos na rede Fora do Eixo desde maio desse ano. No Bananada sentamos com o pessoal do Cubo, do Goma, a gente pensou na criação de um circuito goiano de música independente, a exemplo do circuito mineiro, e rapidamente já estamos fechando muitas parcerias em várias cidades, hoje estamos fechando mais uma”. O guitarrista também fala dos futuros passos do Pequi: “Vamos montar um espaço em Anápolis chamado Espaço Pequi, que além de servir de sede, terá um estúdio de gravação e ensaio, lojinhas de CD e moda e especialmente, servirá como casa de shows”, acrescenta.


Depois disso, só restou desarmar a lona, o circo deixa a cidade mais uma vez. A seguir, você confere as informações do último evento do Coletivo Cultcha no ano. Em 2010, o céu não é o limite. Se uma dupla de boçais como Durval Barbosa e Joaquim Roriz fizeram todo esse estrago, o plano de ação do Cultcha vai empalar muita gente pelo caminho, pode colocar suas fichas. Cara, o próprio Marechal Rondon ficaria orgulhoso, você também vai ficar. Estamos falando de blitzkrieg pra valer, diplomata.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RESENHA SIAMESE TWINS PARTE I


Ventos de mudanças sopram sobre a praça do DI em Taguatinga. Eles vêm de todas as partes do Centro Oeste e se encontram ali para inspirar a noite daqueles que buscam por uma experiência incomum. Logo esses ventos viram o meio de propagação de ondas distorcidas, inquietas, inconstantes, chiadas, subversivas e eletromagneticamente irregulares. Tais estímulos quando codificados pelos vários sensores espalhados pelo corpo humano, provocam as mais diversas reações extremas. São capazes de levar uma pessoa a histeria, a loucura ou até mesmo a violência. Ao mesmo tempo, há algo estranho nesse fenômeno, responsável também por conectá-las e as unir como se estivessem sob efeito de um ritual.


Texto de João Paulo Cabral
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar


E assim aconteceu mais uma vez, durante o “Siamese Twins” nos dias 13 e 14 de Novembro, promovido pelo Coletivo Cultcha. No primeiro dia, Maurício Kozak discotecou e três bandas vindas cada uma de uma cidade do DF, invocaram fogo sobre o público em mais um ritual de ressurreição do rock de Brasília. Lacuna, a anfitriã da noite (Taguatinga), Enema Noise, o elemental do caos (Brasília) e Darshan, a boa nova das terras ermas (Sobradinho). 120 pagantes compareceram a um custo de R$7 ao Botequim Blues, que foi reformado. O novo lugar agora dispõe de três ambientes diferentes, um para a galera conversar e fumar do lado de fora, outro de jogos com sinuca (R$1.50) e fliperama (R$1.00) e o principal, onde rola o som.

Começo desta vez indo para o show em Taguatinga, no carro com o Darshan. Oliver (voz/guitarra) está nervoso, João Paulo (baixo) dirige aparentando uma calma além do normal e Thuyã (backing/guitarra) é o único que abre a boca para quebrar a tensão da viagem, gritando como uma bixona para a gente rir. Pergunto a eles se estão tranqüilos. “Não sei se é ansiedade ou nervosismo, não consigo pensar em nada. Só em chegar lá e imaginar qual vai ser o problema”, diz Oliver. “Você fala que está tranqüilo não por que está”, explica Jota Pê “mas para se tranqüilizar”. Enquanto o outro guitarrista segue pirraçando a esposa de Oliver, chamando-a de “cumadi”, Jota Pê pergunta. “Quais músicas que a gente vai tocar?”. “Qualquer uma, lá na hora a gente vê”, responde Oliver e indaga. “Por que a gente só vai tocar 30 minutos?”. “Por que a gente é de Sobradinho”, responde Jota Pê.

Assim como tantas outras do entorno, o Darshan é uma banda que não conseguiu por muito tempo, a oportunidade de tocar suas músicas em Brasília, devido à maioria das casas de show, preferir fazer shows de cover. Já que elas podem ter menos trabalho e mais lucro chamando a mesma panelinha de bandas, para fazerem dois ou três dias de show. Dois de metal e outro de alguma coisa que eles chamam de “alternativo”. Lucram em cima de bandas que se promovem em nome de outras, a maioria finada, ao invés de revelar novos talentos da cidade. Além disso, 90% das vezes, não pagam nem o trabalho que as bandas têm com transporte, muito menos com a bebida.

Após entrar em muita entrada errada e ler várias placas, finalmente chegamos ao local. É a primeira vez do grupo na cidade e já se sentem em casa, passam o som e acertam de tocarem 45 minutos. O show começou era 23h20 e o Darshan abriu com força total. Alisson (bateria) põe uns óculos à Ray Charles e ganha gritinhos da galera. Sua pegada precisa, disciplinada e leve ao mesmo tempo, fazia a bateria levitar junto aos outros instrumentos. O chiado que saia de seus pratos enchia o som e ficava onipresente durante todo show. Soava quase lisérgico em conjunto com os acordes dissonantes das guitarras e o baixo fazendo o piso das músicas. Notam-se alguns acordes de MPB, Oliver tocava sua guitarra como um violão. Ele e Thuyã fazem alguns duetos, Oliver parecia inseguro quando postava a voz nos refrões e às vezes desafinava. Mas sua voz forte e rouca não deixava explicito. Os solos de Thuyã davam o toque final nas músicas, especialmente na quase valsa, “Passos Falsos”, onde lembrou Pink Floyd.

“Foi uma novidade muito boa, eu não tinha escutado ainda. O vocal dele lembra o vocal do Silverchair, mas um lance mais grunge. O batera toca muito, ele toca parecendo natural, mas ta tocando para cacete. Eu gostei da guitarra do guitarrista, ela tem um timbre peculiar, e o baixista só curtindo o baixo da música... foi a banda perfeita para abrir hoje”, diz Davi Kaus, guitarrista da banda Vitrine. “Curiosamente pareceu Los Hermanos”, comenta Ennio Vilavelha, baixista da banda River Phoenix e responsável pela iluminação do show. “É parece sim, parece sim”, enfatiza a namorada do Davi. “É, pareceu nas músicas sem overdrive, o jeito dele cantar pareceu mesmo”, completa Davi.

Depois de ver o show, Everaldo Maximus, baixista da banda Valdez e um dos diretores do coletivo, senta com a banda para revelá-la a realidade sobre os coletivos, as panelinhas e como surgem as oportunidades de giro dentro do universo da música independente. Para ele, cada banda deve procurar fortalecer a cena de sua cidade, promovendo eventos para que ela se torne uma “referencia de troca”, para que assim, se torne mais fácil e atrativo tocar em vários lugares. “Banda que só toca, não vai para frente, a banda tem que promover alguma coisa", diz Everaldo.


Por volta de 1h da madrugada a banda caçula do coletivo, Lacuna, sobe ao palco para dar continuidade ao show. Sérgio (bateria) está vestindo uma camisa com um coração desenhado a mão, escrito “Den & Sérgio” dentro. “É em homenagem a namorada japa dele de SP”, entrega Rick, seu irmão. Saem os pratos místicos e entram os pratos recortados como queijo mordido na borda. Os dois guitarristas arrumam suas maletas repletas de pedais e depois de anunciarem os membros como em um ring de boxe, Michel Aleixo (voz/guitarra) cola uma foto do padroeiro do coletivo (o jornalista e escritor Hunter S. Thompson) no bumbo da bateria e avisa. “Eu to com a garganta inflamada, se eu cuspir sangue não é efeito especial”.

O show foi curto e grosso. A banda que tem praticamente quatro meses de vida, abriu com um cover do Mudhoney e ao todo tocaram seis músicas. Até a segunda, o som estava todo embolado, uma guitarra cobrindo a outra, a bateria distorcendo com as pancadas, a voz estourando e só o baixo se salvava. Da terceira em diante, o som melhorou e a banda fez a galera “tirar o pé do chão” com “Turnaround”, uma música intensa que explode nos refrões. A banda é pesada e barulhenta ao melhor do estilo stoner, vários tipos de distorções e efeitos são usados nos riffs, intercalados com os dois vocais gritados. O ápice chegou em “Black Dolls”, quando a garganta deu sinal vermelho, Michel parou o show, pediu água e um conhaque e agradeceu. “Obrigado pelo conhaque”. A banda terminou com uma música em homenagem a uma atriz pornô, “Sasha Grey”, de mesmo nome. O show foi um oferecimento de “Zezé de Camargoooo!!!!”, lembra Druga (voz/ guitarra), uma referência a um amigo em comum dos presentes.

“Achei boa, mas achei igual que nem todas as bandas de stoner. Não gostei da palhaçada dos dee lays, mas gostei muito das partes que pareciam com Melvins. A parte que eu mais gostei foi as partes devagar, mais enfeitadas”, comenta Vitor Gama, estudante de letras. Alguns músicos da banda também fazem parte de outras, mas apesar disso, se esforçam para deixar o som da banda perfeito para gravarem um EP. “há um mês, a gente resolveu como regra não passar uma semana sem ensaiar. Se não der no sábado, a gente faz no dia da semana”, explica Michel.

Em seguida, a trupe do Enema Noise sobe para arrumar além dos instrumentos convencionais, um computador, um sintetizador e um teclado. Todos olhavam desconfiados para o quarteto sem saber o que esperar. “Essa banda ai vai tocar emo ou rock japonês?”, ouço alguém dizer. Talvez esse tenha se surpreendido quando se viu exposto ao caos sonoro da banda, que ia do eletrônico a hinos de fúria no palco. Muitas vezes o som chiou feio, mas foi a banda que mais atiçou e agitou a galera. Lamin, uma criatura minúscula, aparentemente meiga e inofensiva berrava as músicas com toda força e energia que podia, às vezes fazia uns guturais bizarros também. ENum momento ele tira a roupa e fica só de cuequinha, pulando como uma pulga albina. Em seguida, Davi sobe no palco para cantar e também tira a roupa. Pareciam estar sendo eletrocutados em meio ao caos da apresentação. Daqui a pouco vira tradição ficar pelado nas noites do Cultcha.

“Queria dedicar essa música para a cidade, por que aqui não é Goiânia, aqui não é Brasília, aqui é Taguatinga!”, assim a banda anunciou a ultima música da noite. A última da noite foi além do convencional. Pela primeira vez este que voz fala, viu tal coisa acontecer. Lamin e Murilo (guitarra) pegarem um baixo condor, com duas cordas somente e descê-lo com toda força contra uma pedaleira até sair os pedaços e depois, espancarem o baixo e a guitarra até cansar. Quando acabou apresentação muitos ficaram chocados com o impacto sonoro e visual da apresentação, outros histéricos. “Achei legal, a musiquinha do tetris e tal, é o tipo de musica que eu escutaria jogando um jogo de corrida”, diz Jota Pê, baixista do Darshan. “Não gostei não, acho que não precisava de toda essa palhaçada, ele deve ser muito rico para ficar destruindo as coisas”, diz Larissa Mattos, estudante de direito.

Lamin estava satisfeito pela noite. Segundo ele era um desejo antigo tocar na cidade com o Enema Noise, após ter tocado em muito “lugar errado” em que as pessoas “não souberam entender a energia do show”. “É justamente por isso que estávamos falando de Taguatinga. O fato delas aqui é assistir as bandas, a gente sente falta muito disso, mas eu acho que ta melhorando”, diz. Sobre a agressividade da banda, ele explica da onde vem e revela ainda mais um plano que tinha para noite. “É uma energia que você tem que transformá-la e levá-la para o público. isso é música, isso é arte. você não tem obrigação de agradar ninguém, você tem é que levar o questionamento para as pessoas pensarem e refletirem. Então a gente busca muito esse lance do choque, do impacto e naturalmente isso acaba sendo levado pro palco, pros instrumentos e tudo mais. A gente tinha uma televisão com pornografia, mas não consegui ligar”. E a pedaleira?. “a pedaleira já era, o baixo também”.

Depois da apresentação da banda, Nugoli vai conferir os equipamentos, fala umas palavras com Lamin e volta com uma cara de sério com um microfone na mão. Pergunto o que achou da performance. “Bom, bom, bom. Ele não toca mais aqui, é de menor, fez strip-tease na minha casa e não toca mais”, ele responde sério com cara de mal. Olho para ele fixamente e ele não segura o riso. “Achei muito legal, fui lá falar com ele e ele disse que ‘no plano a gente não arranja lugar nenhum pra tocar e a gente se sentiu em casa aqui’”, diz ele. Persisto para ver se realmente não houve nenhum ponto negativo para ele. “Não, não, no palco vale tudo”, responde verificando os amassados na bola do microfone.



Em breve, a resenha da segunda noite e a sessão completa de fotos.