terça-feira, 29 de setembro de 2009

A VIDA É MUITO MAIS AGRADÁVEL DEPOIS DO COLETIVO CULTCHA


“Quanto mais odientos vocês ficarem garotos, maiores serão os shows que daremos a vocês.” – Alice Cooper


Michel Aleixo



No dia 12 de setembro, às 23h13, no Botiquim Blues, Taguatinga eu estava no meio do fogo cruzado. Mais uma vez, “aos 45 do segundo tempo”, o salão de baile se encheu repentinamente. Sob a alcunha de Thunder Joe, eu era deejay da ocasião em parceria com o comparsa Ennio Villavelha, a Lighting Ana. Digo fogo cruzado porque a essa altura, vez ou outra, dava uns pulos no palco para auxiliar o multiman Davi Kaus nos mistérios do 110/220v na ligação dos amplis.

De fato a moçada não decepciona. Já é senso comum entre os pra frentex e engajados, que em Taguatinga, tirando a Praça do Relógio depois das três da madruga, as noites Cultcha no Botiquim Blues são a melhor diversão que cinco mangos podem pagar. Cerva gelada, gente bonita e som transado. Vai comer ou quer que embrulhe?

Mas estou divagando, neste texto tenho que resenhar a noite. Vamos ao lead: Satanique Samba Trio, Cassino Supernova e Vitrine são as atrações deste que é o terceiro evento Cultcha. “As bandas são de qualidade, o público é excelente. Cada vez fico mais satisfeito”, afirma Nugoli, o carcamano boa praça que administra o pub. O Botiquim é um dos melhores espaços de Taguatinga para bandas de rock. O teto baixo contribui para uma melhor reverberação do som, a aparelhagem dá conta do recado, assim como o equipamento de discotecagem. No palco, a primeira banda está pronta para o tiro de partida.



O Satanique Samba Trio é como juntar Mike Patton, Jacob do Bandolim, Arrigo Barnabé e Toninho do Diabo para biritar numa encruzilhada. Lenda do underground brasiliense, o som do sexteto seria a trilha sonora ideal para uma sessão de exorcismo de Anneliese Michel. Free jazz com instrumentos tupiniquins, cadências súbitas e compassos tortos. No repertório, títulos como “Deus Odeia Samba-Rock” ou “Gafieira Bad Vibe”. Se Brian Wilson tem uma pulga atrás da orelha em relação a maldições relacionadas a Mrs. O'Leary's Cow, não deve nem sonhar em passar perto do SST.

Durante o show, o porta voz do grupo é o baixista Munha. Entre suas frases de efeito, tijoladas como “Nem tanto pessoal”, quando o público os aplaudiu calorosamente; ou “a gente vai tocar a última porque é muita informação para vocês”, sua maneira de anunciar o coda, pouco tempo depois. De fato, essa atitude anti-estrela do rock foi o único ponto negativo da apresentação. O SST foi um dos melhores momentos do Coletivo Cultcha até aqui.



Na seqüência, a bola esteve com a garotada ponta firme da Cassino Supernova. Com poucos meses de atividade, a banda, entre outras conquistas, está bem na fita do Circuito Fora do Eixo, se apresentando em vários estados; foi uma das classificadas do Porão do Rock deste ano; e seu primeiro lançamento já recebeu polegar pra cima do Correio Braziliense. “Não pare de sonhar, só não se esqueça de acordar”, eles cantam em Flashes. Rock 60/70 bem tocado. Rolling Stones, Cachorro Grande, Lafayette e os Tremendões, tudo ao mesmo tempo agora.

Os caras extrapolaram os 30 minutos de set sem perder o pique. Enquanto que no SST as pessoas reagiam meio que estáticas ao estilo de som, no show do Cassino o público simplesmente deitou e rolou.



O clima foi o mesmo para quem ainda estava lá quando o Vitrine subiu ao palco. A banda é prata da casa, tem público cativo. Ela também é uma das seis que edificaram o Coletivo Cultcha. O som é pós-punk, rock anos 80, noise bem colocado. O show foi catarse, especialmente a performance do guitarrista Davi Kaus. Quem toca quem? A Les Paul toca o Davi ou o Davi toca a Les Paul? “O nome dessa música é Snooker Nine e ela faz parte da Coletânia Coletivo Cultcha”, anunciou o vocalista Israel, antes de executarem o momento mais explosivo da noite.






Eram mais de duas da manhã quando os últimos acordes engasgados com feedback morriam no palco. Mas muita gente ainda ficou bebendo e dançando no Botiquim. No fim das contas, foi uma noite bem sucedida. Inclusive com recorde de pagantes. Sobre nosso desempenho nas pickups? Para apertadores de play de primeira viagem, acho que fomos satisfatórios. Uma dica: Se algum dia você for discotecar, “Legal Tender” dos B 52’s atrai garotas hipsters para a pista.

O que vale dizer é que o Coletivo Cultcha vem cumprindo sua proposta de promover intercâmbio na muitas vezes, infinita distância emocional que afasta vários agentes do rock independente de Brasília. Pessoas que tem muito a somar e, simplesmente, não conhecem outros com a mesma vontade num território tão pequeno como o DF. Também é importante ressaltar que a pretensão do Cultcha não é beneficiar ninguém especificamente. Seja ele banda ou produtor. Como dizia o mestre Lester Bangs, o que vale mesmo é a música. O artista, DJ ou bêbado que grita “toca Raul!” é apenas um trâmite. Alguém que cumpre uma função social de atrair ao mesmo espaço, aqueles com este interesse em comum. Se você concorda com essa proposta – que não é nova, diga-se – é muito bem vindo ao Cultcha. Simplificando, do it yourself.


Fotos: Andreia Cristinne Aguiar

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PÉ NA ESTRADA

Valdez em Cuiabá. Grito Rock 2009.


Portal Toque no Brasil promete revolucionar a interação entre bandas e casas de shows de todo o país

Michel Aleixo



Não há dúvidas que iniciativas como a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) e o Circuito Fora do Eixo (rede de trabalhos concebida por produtores culturais de diversos estados), estão promovendo uma combustão sem precedentes na cena da música independente. Hoje, bandas associadas a coletivos e produtoras de sua cidade de origem, dispõem de uma rede de contatos que lhes permite agendar e conhecer parceiros de outros lugares com maior facilidade. Entretanto, para muita gente, ainda existe algo nesse sistema que não funciona de maneira articulada, o circuito de turnês.

Um dos que afirmam isso é o produtor e músico Sérgio Ugeda. Sua idéia para mudar essa realidade é o portal Toque no Brasil. Ele o apresentou em uma das conferências livres que integraram a edição deste ano do Porão do Rock. Trata-se de um site que vai conglomerar contratantes (casas de shows), contratados (bandas e profissionais da música) e público. Uma vez reunidos no mesmo cyber espaço, produtores e casas poderão divulgar datas abertas em suas agendas e contatar artistas cadastrados. Por exemplo, uma banda de Brasília que tiver um show marcado em São Paulo, pode consultar opções de datas disponíveis em cidades no meio do caminho. Hipoteticamente, ela pode tocar no interior de Minas na ida e se apresentar em Belo Horizonte na volta, passando também por Goiânia, etc.

“Você pode observar, não acontece apenas com bandas pequenas, até os figurões como Ivete Sangalo ou Titãs não fazem turnês propriamente ditas. As datas mesmo que espalhadas pelo país são sempre esporádicas”, afirma Sérgio, que é guitarrista e vocalista da banda paulista Debate e comanda a gravadora Amplitude. A idéia do Toque no Brasil não é exatamente nova. Nos Estados Unidos, o site sonicbids já há alguns anos oferece esse serviço de agendamento para bandas que excursionam por lá. “Assim que conheci o site logo me cadastrei. Minha banda fez 28 datas nos Estados Unidos graças ao sonicbids. Quando estávamos em Boston, sede da empresa, fiz questão de visitar o escritório dos caras e agradecê-los. Assim que contei minha história eles disseram: ‘Você entendeu nossa mensagem, sua banda é um exemplo que nosso serviço funciona’. No ato me deram mil dólares e disseram que seríamos a banda destaque do mês”, conta.

O Toque no Brasil está recebendo os últimos ajustes antes do lançamento oficial, mas uma pré-versão já está no ar. Para Sérgio, o site é apenas uma ferramenta a mais. O que vale mesmo é à força de vontade da banda na busca de seus objetivos. “Não ache que alguém um dia vai bater na sua porta e te oferecer um contrato milionário. Isso não acontece. Hoje quem se destaca, sua a camisa e corre atrás. Simplesmente, ninguém gosta da sua música mais do que você mesmo”.

Conheça a versão demonstrativa do portal em toquenobrasil.com.br

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

COLETIVO CULTCHA VAI TRANSMITIR O PORÃO DO ROCK



Em parceria com o Coletivo Independência ou Marte, de São Carlos, SP, o COLETIVO CULTCHA vai transmitir os shows do Porão do Rock 2009.

Então, aqueles que por algum motivo não puderem comparecer a Esplanada dos Ministérios neste sábado e domingo, acessem o site da ABRAFIN e ouçam a equipe Cultcha em ação com os parceiros paulistas.

Esporte é radiodifusão. Pratique guitarra.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

COLETIVO CULTCHA NO PROGRAMA INDEPENDENCIA OU MARTE


Foi transmitido nesta segunda-feira na 95,3 fm para a região que abrange a cidade de São Carlos-SP e no site http://www.radio.ufscar.br/ o programa #113 promovido pelo Coletivo Independêcia ou Marte que traz entre outras coisas, uma entrevista com Diego Mendes sobre o Coletivo Cultcha, além tocar quatro músicas do cd Coletânea Cultcha na programação: Apocalipse Girl (Valdez); Narcan (River Phoenix); Black Dolls Take The Honnors (Lacuna) e Baby Come Home (Leda).


O programa está disponível na integra no blog do Coletivo Independência ou Marte. Acessem e confiram!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SHOW COLETIVO CULTCHA

É isso aê pessoal, no próximo sábado, dia 12/09, acontecerá mais um evento do Coletivo Cultcha, no Botiquim Blues, Praça do DI, em Taguatinga, a partir das 22 horas, com entrada a R$ 5,00. Dessa vez as bandas escaladas foram o Vitrine, Satanique Samba Trio e Cassino Supernova. Além de som mecânico com Lihtning Ana e Thunder Joe. Abaixo release das bandas com uma pequena entrevista feita com elas. Estejam todos convidados a comparecer. Esporte é droga, pratique guitarra!

VITRINE

O Vitrine nasceu em Brasília e tem a formação atual desde 2006. A proposta autoral da banda consiste em explorar influências do Pós-punk, Rock Brasília dos anos 80 e as novas influências do Rock inglês dos anos 2000. A banda conta com Mark Santana no contrabaixo, Israel Veloso nos vocais e guitarra, Davi Kaus na guitarra solo e Anderson Gomes na bateria. Atualmente a banda se encontra em processo de produção do seu primeiro disco no estúdio Daybreak, em Brasília, com produção de Philippe Seabra (Plebe Rude).

http://www.myspace.com/vitrinebrasilia

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

V: Hoje em dia é fundamental que as pessoas se juntem para fazer surgir oportunidades, já que ficar esperando iniciativas do governo ou de quem diz fazer cultura no DF está fora de questão. Os nichos culturais alternativos pelo país estão cada vez mais organizados, e isso ocorrerá aqui, com certeza.

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

V: Se falarmos que a falta de espaço é uma delas estaremos mentindo. O DF tem inúmeros lugares, espaços para tocar. O problema principal é a velha panela. São poucas pessoas que se acham no direito de decidir o que é legal ou não de ser apresentado. Falta profissionalismo, inclusive de nós, músicos da cidade.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

V: O Vitrine está com repertório renovado e prestes a entrar em estúdio. Podemos esperar a energia de sempre, agora com mais vontade de mostrar as coisas novas que farão parte do primeiro disco.

SATANIQUE SAMBA TRIO

Definir uma banda como Satanique Samba Trio é extremamente dificil. Será Jazz? Será samba? Ou simplesmente boa música que não cabe a rótulos pela inventividade com que os integrantes executam cada pertado "da má sorte"? Rótulos ou definições a parte, a banda oriunda de Brasília conta com músicos já experientes e tem na sua história vários shows ao redor do Brasil, incluindo festivais importantes da música indepedente nacional.

http://www.myspace.com/sataniquesambatrio

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

SST: Se tem algo de que o DF precisa é de PRODUÇÃO ARTÍSTICA. Só temos a agradecer a
iniciativa do Cultcha...

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

SST: Não acredito que haja uma cena independente local.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

SST: Um show curto e grosso. Como estas respostas, inclusive...

CASSINO SUPERNOVA



Com influência do Rock n' Roll dos anos 50, 60 e 70, o Cassino Supernova não deixa de soar atual. A banda foi formada em Brasília no começo de 2009 e se destaca por suas apresentações enérgicas, também pelo carisma e versos que “não se contentam com os clichês do gênero”, segundo definiu o jornal Correio Braziliense. O Cassino Supernova já dividiu eventos com nomes importantes do rock nacional, como Raimundo(DF), Autoramas (RJ) e Facas Voadoras (MS), além de participar do circuito Fora do Eixo como "banda revelação de Brasília”. A banda é formada por Gustavo Halfeld (Guitarra); Raphael Valadares (Guitarra); Gabriel Rodrigues (Bateria); João Victor (Vocal); Pedro Henrique(Baixo).

http://www.myspace.com/cassinosupernova

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

CS: Achamos que o envolvimento dos artistas com o cenário é fundamental para que as coisas voltem a andar. Passamos por momentos de baixa na música de Brasília, com poucos eventos sendo produzidos e bandas tendo dificuldade pra mostrar seu trabalho. Acreditamos que os grupos têm que dar exemplo para o público, no sentido de prestigiar a cena, ir contra preconceitos de estilos, ajudar na produção e divulgação dos eventos, incentivar os amigos a participarem, e principalmente, dar tudo de si no palco. Iniciativas como a do Coletivo Cultcha são louváveis e muito importantes para o cenário voltar a pegar fogo!

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

CS: Principalmente a falta de união das bandas e estilos diferentes, e o público, que não prestigia tanto a cena autoral. Mas somos otimistas: temos tido contato com muitas bandas boas, e principalmente visto gente bem intencionada e com ótimas iniciativas, como o próprio Coletivo Cultcha e algumas produtoras, como a Bloco e a Mundano, que sempre abrem espaço para bandas menos conhecidas e são realmente compromissadas com o cenário. Acreditamos que com bandas boas tocando e o pessoal fazendo eventos legais, a participação do público só tende a aumentar.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

CS: Rock´n Roll, baby! Hehe, vamos fazer de tudo pra que o evento seja foda e pra ver todo mundo dançando o velho rock enquanto tocamos!