sábado, 18 de julho de 2009

FESTA DE LANÇAMENTO DO COLETIVO CULTCHA



João Paulo Neves Cabral*

Anunciado na manhã de sábado, 4 de julho de 2009, por uma reportagem do Correio Braziliense, as bandas River Phoenix, Valdez e High High Suicide fizeram a primeira rodada de lançamento do coletivo cultural Cultcha, no Botiquim Blues em Taguatinga. Formado com o objetivo de promover maior integração entre bandas e ressuscitar o cenário póstumo do rock em Brasília, o coletivo fez seu primeiro show para cerca de 100 pessoas que compareceram a uma noite surpreendente de muito rock n’ roll. Os 50 primeiros que chegaram, levaram um cd coletânea com as seis bandas que participam do grupo.

Marcado para as 22h, o show só começou as 23.20h. Enquanto isso, as pessoas iam chegando e pedindo uma cerveja, os músicos checando os equipamentos e André Kalil e Marcos Motosierra, vocalista da banda uruguaia Motosierra que mais tarde foi a carta na manga da banda convidada High High Suicide, discotecava com MC5, Rolling Stones e outros sons dos anos 70. O bar freqüentemente recebe bandas de rock, blues e jazz, estilos quais personalizam o ambiente. Com mesas, cadeiras e paredes vermelhas que lembram um saloon, o bar exibe quadros de vários músicos do jazz como Louis Amostrong, Billie Holiday, Frederic Rolland, além de Beatles e Bob Dylan.
O trio do River Phoenix foi o primeiro a subir ao palco. Assim que começaram, notava-se uma peculiaridade. Ao invés da melodia e harmonia, a matéria prima moldada pela banda é o barulho. Com afinação em Eb e C#, pistas de baixo pulsantes, horas variando em escalas de jazz, baterista de pegada forte e linear, vocais gritados aos berros e guitarra suja e dissonante. Apesar de curto, o show mais parecia uma compilação de jam sessions bem ensaiadas. Diversos efeitos e ruídos (delays, flangers) são usados em solos de guitarra para constantes improvisos experimentais. Algumas canções são gritadas em inglês, outras em português. As influencias de punk, grunge e metal são presentes nas músicas bem dosadas. A banda mostra identidade.

André Morale, guitarra/vocal do High High Suicide ficou surpreso com o som da banda que não conhecia. Para ele, o show foi “fantástico” e teve grande aceitação, apesar da primeira reação do publico com um som diferente, é de ficar quieto ou prestar atenção. “É raro ver um som desses, existem poucas bandas de stoner no Brasil, em Brasília então”, diz o músico. Ele também destaca a importância da integração entre bandas principalmente em Brasília, onde ocorre muita “rotulagem”, o que acaba por segregar mais ainda a cena. “Isso acontece até com bandas amigas. ‘a gente toca metal, ah eu toco death, ou rock gaúcho ou indie rock’, o que interessa é fazer rock de coração”, afirma Morale.

Em seguida foi a vez do segundo trio da noite, que também se apresentou na semana anterior, o Valdez. A banda que começou com a intro de Moby Dick (Led Zeppelin), tem influência em várias vertentes do rock n’ roll e tocou um repertorio bastante variado. Músicas pesadas, instrumentais e dançantes, quando não bastava faziam paradinhas e recomeçavam a musica com outra pegada. Bastante quebrada, a batida precisa e criativa da bateria faziam o publico pegar fogo junto aos solos incendiários de guitarra em penta tônica e a presença de palco contagiante do baixista. O vocal seguia preenchendo as canções quase falando e nos refrões pondo mais vida na voz.

“Ahhhh, ohhh, blurulurulu (imita a bateria), Ahhhh...”, canta empolgado Rafael Montanha, 19 anos, atendente do bar há 4 meses, ao responder qual musica mais gostou. ”Já é uma banda que vem aqui há algum tempo”, completa. Assim como ele, o público delirou em “Lux Interior”, uma canção surf music. Marco Nugoli, 50 anos, produtor de shows do bar, diz que o show o fez rever seus conceitos sobre ela. “A primeira vez que eu vi detestei a banda e todas as músicas, e hoje o show foi do caramba, adorei”.
Eram 2h da manhã quando o High High Suicides subiu para tocar. Além de terem pegado o equipamento um pouco desgastado, ao ligarem duas guitarras e três microfones o som começou a estourar. O público que se acumulou para ver o show do quarteto foi indo embora do meio pro final e somente cerca de 30 pessoas ficaram para ver o melhor da noite. Gustavo Bill, guitarrista da banda, reclamou que o som da banda foi prejudicado por que as bandas anteriores puderam usar um amplificador de baixo ampeg e sua banda somente um staner. “É equipamento igual pra todo mundo ou não é?”, indaga Bill.

Apesar de tudo o show foi divertido e energético. “como somos a última banda, começamos a beber desde cedo. Quem aí está bêbado?”, brinca o vocal com a platéia. O grupo se inspira em bandas latino-americanas e bandas de rock n’ roll garage, como Hellacopters, Stooges e compõe em inglês e português. A bateria simples e rápida lembra a de Mark Ramone pela habilidade com o chimbal. O baixista e guitarrista fazem backin vocais em algumas músicas e na maioria, todos repetem o refrão que é o forte da banda. Os acordes que intercalam com as vozes frenéticas durante os versos, chegam ao ápice nos refrões. Como em "Sex Games”, onde fazem o hino gritando "The dick is on fire! The pussy is on fire! The ass is on fireeeeee!!!".

Após o show, Marcos Motosierra tira a blusa e sobe no palco para fazer a participação especial com o High High Suicide, cantando musicas de sua banda. A performance foi um legítimo espetáculo, assim como os shows de punk da década de 70. Vestido com jaqueta jeans, calça torando e cheio de marra, contagiava cada vez mais o público com seus berros e ousadias. Subia na bateria, no balcão do bar, berrava de quatro, colocava o microfone dentro das calças e até pôs o cu para cantar. Certamente se Iggy algum dia virar santo, vai dispor de um corpo fiel onde baixar. No auge do show, a galera invade o palco e todos cantam juntos “I wanna be your dog”, do Stooges.

Engana-se quem pensa que o produtor da casa achou ruim. Para Nugoli a noite valeu a pena. “Seria interessante fazer a cada dois meses outros eventos com o coletivo, sempre damos espaço para bandas autorais”, explica. E emenda surpreso: “Estou até pensando em chamar a banda do Motosierra para tocar aqui”, avisa o produtor. Mas chama atenção para um problema comum entre as bandas independentes. “Algumas acham que fazer rock é aumentar o volume. Depois de certo nível, vira barulho e não da pra entender nada, isso tira o potencial da banda”, lembra ele.

O bar fechou às 4h da manhã, quando os sobreviventes cansaram de bailar ao som de Gypsy Kings e do nostálgico Michael Jackson, discotecado por Motosierra. Em seu blog, o uruguaio relembra como foi a noite. “Me sentí en casa. Público muy rockero, humilde y solidario. Y con muchas ganas de hacer funcionar las cosas, a pesar de la falta de recursos y medios. Las bandas fueron la mayor sorpresa.”Além disso, descreve sua visita a Taguatinga como “uma experiência inesquecível” e um lugar que deseja manter mais contatos que em São Paulo, onde vive. “Brasília, y especialmente Taguatinga, son el ejemplo de cómo hacer las cosas con honestidad y humildad, con esfuerzo y perseverancia”, escreve Motosierra.


* João "Calouro" Paulo é estudante de jornalismo e colaborador do Coletivo Cultcha.
** Todas as fotos que ilustram a matéria foram clicadas por Andreia Cristinne Aguiar, que faz parte do Coletivo Cultcha.
A sessão completa pode ser conferida no orkut do Coletivo Cultcha (http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=427202438550362640)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

04 DE JULHO DE 2009

Noite ácida a de lançamento do Coletivo Cultcha. E como se diz, "uma imagem vale mais que mil palavras".


Ainda assim, resenha completa em breve.

MATÉRIA COLETIVO CULTCHA NO CORREIO BRAZILIENSE

SHOW
Todos por um


Inspirado no exemplo de Cuiabá, coletivo de bandas independentes quer movimentar o rock do Distrito Federal

• Tiago Faria





Capital do rock? Para os roqueiros do Distrito Federal, o rótulo parece cada vez mais irreal. “Quem conhece a cena de Brasília sabe que isso tudo acabou nos anos 1980. Conhece aquela história do brasiliense que não conhece o próprio vizinho? Por aqui, isso acontece também com as bandas”, resume Michel Aleixo, 30 anos. O discurso pode soar pessimista, mas o guitarrista não desanima. Além de tocar em duas bandas — River Phoenix e Lacuna —, ele acredita sinceramente que a união de forças pode remediar uma cena que já viu dias melhores.


Na teoria, a ideia é simples: quando uma banda ajuda a outra, fica mais fácil produzir shows, gravar discos e chegar à mídia. Na prática, porém, não são muitos que conseguem fazer com que essa filosofia funcione. Quando viajou em fevereiro para Cuiabá, para o festival Grito Rock, Diego Mendes, 23, achou o caminho das pedras. O vocalista e guitarrista da banda Valdez se deslumbrou com uma cena roqueira calcada nos princípios da colaboração mútua, que revelou os festejados Vanguart e Macaco Bong. “Ficamos maravilhados. Pensamos imediatamente: temos que fazer isso na nossa cidade”, lembra Diego.


Dessa descoberta nasceu o coletivo Cultcha!, que reúne seis bandas de Taguatinga em torno do objetivo de movimentar o rock brasiliense. Não é trabalho fácil. “Ainda estamos engatinhando”, reconhece Diego. Mas os projetos começam a borbulhar. A primeira iniciativa é um show marcado para hoje à noite no Botiquim Blues (Praça do DI). A estreia terá uma atração internacional: Marcos Motosierra, da banda uruguaia Motosierra, divide o palco com o High High Suicides, o Valdez e o River Phoenix. Outra rodada de apresentações rolará na quinta-feira, no Blues Pub, com Galinha Preta, Lacuna e Deluxe Jazz Fuckers.


Intercâmbio
Em carta de apresentação, o Cultcha! deixa claro que chegou para preencher as brechas de uma indústria musical em declínio e investir em intercâmbio de projetos. “A cena de Brasília é mantida nas mãos de poucos gatos pingados que preferem manter tudo na mesma”, eles avisam. E sabem do que estão falando. Sem palco ou apoio, os grupos se acostumaram a se apresentar mais para os amigos que para o público. “É muita banda para pouco espaço. A gente tocava em botequinho de beira da estrada, no meio da rua, dentro de oficina mecânica…”, enumera Diego.


É da geração do Aborto Elétrico que o coletivo toma emprestada a filosofia do “faça você mesmo”. “Fazemos a mesma coisa que eles faziam em 1979. Tocamos em troca de uma tomada em qualquer lugar”, afirma o manifesto. “Por coincidência ou não, nossas bandas são musicalmente muito parecidas. Estamos mais para o garage rock, um som pesado”, diz Michel. Numa tarde de farra no estúdio, o coletivo gravou uma coletânea de seis faixas, uma para cada banda. O disco será distribuído como brinde para as 50 primeiras pessoas que chegarem aos shows. “Não queremos vender. O disco é nosso panfleto”, afirma o vocalista da Valdez.



CULTCHA! EM AÇÃO


FESTA DE LANÇAMENTO

Hoje, às 22h, no Botiquim Blues (Praça do DI, Taguatinga). Shows de Marcos Motosierra, High High Suicides, Valdez e River Phoenix. Discotecagem de André Kalil. Ingressos a R$ 5. Não recomendado para menores de 18 anos.


A TEN O’ CLOCK SPECIAL

Quinta-feira, às 22h, no Blues Pub (Pistão Sul, Taguatinga). Shows de Galinha Preta, Lacuna e Deluxe Jazz Fuckers. Ingressos a R$ 5. Não recomendado para menores de 18 anos.


Quem é quem

Valdez
Criado em janeiro de 2004, o trio de rock garageiro, que também se inspira em clássicos como Black Sabbath. Rock ‘n’ roll simples e direto.


River Phoenix
O astro norte-americano, morto em 1993, aos 23 anos, inspirou o nome do trio, que iniciou as atividades em 1998 com gosto pelo punk e o metal. Entre as referências, Stooges e Black Sabbath. Ouça a banda em www.myspace.com/riverphoenixrock.


Lacuna
O caçula do coletivo tem poucos meses de existência e envereda pelos caminhos do stoner rock. Ainda não estreou nos palcos.


Deluxe Jazz Fuckers
Nascido no início de 2009, o quarteto toca rock à moda antiga, sem dar importância a estilos que estão em voga no underground ou nas rádios.



Leda
A praia frequentada pelo Leda é a do pós-punk oitentista e do guitar rock da década de 1990. O quarteto bebe na fonte de grupos como My Bloody Valentine, Joy Division, Pavement e Sonic Youth.


Vitrine
Criada em novembro de 2006, se influencia por rock de Brasília dos anos 1980 e pós-punk internacional. Grava o primeiro disco no estúdio Daybreak, com produção de Philippe Seabra, da Plebe Rude. Ouça em www.myspace.com/vitrinebrasilia.

Publicado originalmente na edição do Correio Braziliense do sábado, 04 de julho de 2009.

domingo, 5 de julho de 2009

DIÁRIO DE GRAVAÇÃO COLETÂNEA CULTCHA - PARTE II

Por Diego Valdez

Como prometido começo aqui a escrever como foi o segundo dia de gravação da Coletânea Coletivo Cultcha. Esse segundo dia seria dedicado especialmente para as gravações do vocal, porém tanto o Vitrine quanto o Lacuna ainda teriam que gravar as partes instrumentais das suas músicas.
Para falar a verdade nem lembro o que fiz nessa amanhã antes de ir para o estudio, provavelmente alguma coisa corriqueira dentro de casa, mas enfim o horário marcado para inicio da gravação eram as 14 horas. Cheguei no estúdio com uns 20 minutos de antecedência. Comigo estavam o Rogério (um dos membros organizadores do Coletivo Cultcha) e o Ennio. Logo em seguida chegaram o pessoal do Vitrine. Nesse meio tempo até o Edmilton chegar para abrir o estúdio ficamos conversando sobre o coletivo e fazendo piadas sobre qualquer coisa. Às 14 horas em ponto o Edmilton chegou e deram-se inicios aos trabalhos.
A primeira banda a gravar foi o Vitrine com a música Snooker Nine, de refrão marcante que remete ao rock nacional oitentista mas com nítidas influências de sons alternativos como Sonic Youth. Logo em seguida foi a vez do Lacuna mandar Black Dolls Take The Honnors. Diferentemente do dia anterior, eles se apresentaram de forma mais segura e conseguiram fazer um ótimo registro.
Bom gravado os intrumentais foi a vez de todos gravarem os seus respectivos vocais. Como tem um certo tempo em que rolou a gravação e na verdade eu escrevo essa segunda parte atrasado, talvez eu me confunda com a ordem correta em que foram gravadas os vocais, mas eu acho que o primeiro a registrar a voz foi o Ennio nas músicas do River Phoenix e do Deluxe Jazz Fuckers.
Em seguida foi a vez do Davi, com a música Baby Come Home do Leda. Amigos, não tenho palavras de como essa música depois de registrada o vocal ficou especial. As linhas vocais do Davi realmente emocionam, enfim, pessoalmente é a minha música predileta de todo cd! Após o Davi foi a vez do Alexandre gravar os vocais da música do Lacuna. A voz do Alexandre foi realmente uma surpresa para mim, pois eu não tinha reparado antes como era o vocal dele. Ele realmente detonou no vocal.
Por último ficaram Israel e eu, respectivamente Vitrine e Valdez. O Israel foi primeiro e gravou com certa facilidade e velocidade o vocal de Snooker Nine. Enquanto ele gravava eu confesso que estava um pouco tenso pois sempre fui complexado com a minha voz e sentia certa responsabilidade, ainda mais quando todo mundo tinha detonado nos vocais de suas respectivas músicas. Coincidentemente, no momento em que o Israel gravava o vocal, o Maurício (Leda), entrou com uma garrafinha de Domus. Bendito Domus! depois de uns goles criei a coragem necessária e acreditem ou não, deu até uma "calibrada" na minha voz!
Acabei gravando sem problemas e até satisfeito com o resultado final. Encerradas as gravações a mixagem e a masterização ficariam para outro dia, mas o meu relato encerra-se aqui mesmo. O saldo de tudo isso foi que eu me diverti bastante de estar junto dos amigos fazendo uma coisa no qual todos somos apaixonados: Rock. E no final de tudo sair com aquele sentimento de dever cumprido!




Até a próxima!