segunda-feira, 9 de novembro de 2009

COLETIVO CULTCHA EM DOSE DUPLA - PARTE II

Nessa segunda parte, vamos divulgar as entrevistas feitas com as bandas que vão tocar no dia 13/11, sexta-feira. São elas: Darshan, Enema Noise e Lacuna. Lembrando que os dois eventos vão começar a partir das 22 horas e entrada a R$7,00 cada dia ou R$10,00 os dois dias com nome na lista, tanto na hora quanto por e-mail: coletivocultcha@gmail.com

DARSHAN


Com um nome tirado de um livro de Gandhi, cujo significado é poder de visão, a Darshan foi formada em 2005 em Sobradinho e passou por duas formações diferentes, até que em 2008 se consolidou com: Oliver Alexandre (guitarra/vocal), Thuyan Caixeta (guitarra/vocal), João Paulo Berger (baixo) e Alisson Vas (bateria). Com letras profundas e intimistas e uma sonoridade melódica que aponta para influências de bandas de Seatle do início dos anos 90, como Pearl Jam e Screaming Trees, a banda possui um cd indepedente com 9 faixas.

www.myspace.com/bandadarshan

ENTREVISTA

CC – O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

Darshan: O coletivo que apóia bandas autorais e independentes pode até estar colaborando com a cena do rock, mais dizendo bem é a produção mais autêntica nos tempos de hoje. Porquê quem melhor pra sentir na pele o que é ter espaço restrito pra shows de rock do que os próprios músicos? Então essa idéia de crescer individualmente ou se juntar a uma panelinha restrita já está ultrapassado. Os artistas estão crescendo unindo-se aos outros, é com isso que o público vai reconhecer nossa existência . O Darshan acha que iniciativas como a do Coletivo Cultcha servem de exemplo pra quem quer sair da mesmice e realmente fazer acontecer.


CC – Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

Na cena local Sobradinho, trazer o pessoal das outras cidades tem sido a maior dificuldade, devido a isso fica até difícil pra alguma banda sair da região e mostrar que a cidade tem um movimento. Uma vez até convidamos uma produtora pra conhecer um evento daqui, daí ela perguntou: “Acontece algo nessa cidade ? A única que coisa que eu já vi, foi aquela festa do moranguinho.” E um integrante de banda responde que ha 6 anos, tocou em uma sorveteria da região, em que cabia um pé dentro do palco e outro fora. Só por curiosidade a exposição agrícola festa do morango acontece em, brazlândia, localizada no oposto de sobradinho. As coisas aqui já estão diferentes, temos pub’s pra voz/violão e algumas casas de festa, porém cobram preços altos pra eventos. De vez em quando a saída é uma chácara bem decorada, com aparelhos de som de porte médio, pra poucas pessoas pois o acesso ainda é muito limitado.

CC - O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 13/11?

Darshan: Podem colocar o capacete, pedras vão rolar, uma banda tentando transformar idéias complexas em próximas do simples , um “grunge abrasileirado” como já apelidaram e letras vindas do conflito da condição humana. Não estaremos lá pra profetizar nenhuma palavra mas esperamos que as pessoas atinjam sentimentos de um extremo ao outro, tenham impacto com o som e despertem perguntas em si mesmas que jamais imaginaram existir.

ENEMA NOISE


O Enema Noise surgiu em 2005 como trabalho autoral do atual vocalista/guitarrista R. Lamin. A banda se completou em 2009, com a entrada de F. Raupp - baixo/sintetizadores; Marcelo Melo - Bateria; Murilo Barros - guitarra. Nesse ano o grupo também foi escolhido como um dos participantes do tributo ao Defalla "Não Me Mande Flores" com uma releitura da música "Obsessão". Já em agosto, gravou um split EP com a banda The Fraktal (RJ).

www.myspace.com/enemanoise

ENTREVISTA

CC - Vocês são fundadores do Esquina, coletivo que, num curto período de vida, já promoveu diversas ações (shows e palestras) que movimentaram a cena brasiliense. Por que criar um Coletivo?

Lamin
: Pra organizar e ajudar a cena musical independente de Brasília. A gente percebeu que sem esse controle ficava difícil arranjar espaço pras nossas bandas, principalmente no caso do Enema Noise. Vocês do Cultcha sabem como muito bem como é isso. Em situações como essa, ou a gente lamenta que não tem aonde tocar (e pra quem tocar), ou então corremos atrás de montar a nosso próprio cenário.

Marcelo
: Quando eu, Lamin e Jacque (minha namorada) fundamos a Bloco Produções, a nossa proposta era quase a der ser um coletivo, embora na época não sabíamos. Temos um visão bem horizontal e de igualdade, e queríamos de alguma maneira levar isso pra cena musical e artistica de Brasília. E foi quando trouxemos a banda Nuda, de Pernambuco, que conheci o circuito fora do eixo e a necessidade da criação de um coleitvo para dar conta da demanda que brasília, e a cena independete exige.

O conceito de coletivo incide uma certa rotatividade, pelo menos de areas de formação, como fotografia, jornalismo, publicidade, entre várias outras, extremamente necessárias pq quando você começa a ser organizar você percebe a necessidade das pessoas certas para fazer as coisas de maneira correta. Foi então que, junto com a mundano produções, a bloco produções fundou o Coletivo Esquina. Nos organizamos e vimos que é necessário todo um envolvimento de pessoal para comunicação, circulação e sustentabilidade, por exemplo, e que isso pode ser feito de maneira mais séria.

Eu mesmo tinha a errada visão de que, por ser independente, o esquema tinha que ser tosco. E não, na verdade quando melhor as pessoas ser organizarem mais longe podem chegar, com uma movimentação artistica de qualidade, não só de eventos, mas até de aproximação política - algo ainda pequeno pra maioria dos grupos independentes organizados. Por isso, fundar um coletivo é importantíssimo... pra se organizar. Pra poder de forma solidária e amiga ir bem longe por aquilo que se gosta.

CC – Como atuantes na cena também, o que vocês acham dessa movimentação que tem surgido (até mesmo nossos coletivos são exemplos disso), em que os artistas estão correndo atrás de seus próprios espaços e dando um foda-se para as famosas “panelas”, que sempre caracterizou a cena independente de Brasília?

Lamin: Eu acho bom. É o processo natural né? O problema é que aqui sempre teve banda demais. Aí ficou aquele negócio de que artista tem que ser assistido e bajulado. Ou então, explorado por produtores culturais que não tão nem um pouco interessados em colaborar com o cenário. Isso acomodou ou desmotivou o público e as pessoas envolvidas na música. Essa movimentação artística de agora tá retomando o espírito da coisa. Quem tá interessado corre atrás do próprio espaço; se quer tocar, tem que trabalhar! Em Brasília os músicos perderam um pouco dessa sacada e os coletivos tão trazendo isso de volta.

Marcelo: A cena independente tá melhorando, mas ainda não é a ideal. Na verdade, sempre poderemos evoluir. Acho que a idéia de varios grupos, produtoras, coletivos estarem se formando é muito importante pra isso. Porém, pra uma movimentação artistica ser ainda mais poderosa é mais importante ainda que esses grupos organizados se comuniquem e se organizem juntos também.

E não é pra desanimar, mas tudo isso não é facil. Causa um pouco de dor de cabeça, as vezes parece uma correria sem fim. Se você quer se organizar, ter uma banda, sei lá, já não é legal pensar em simplesmente fazer isso tudo pra pegar garotinhas (risos), o buraco é mais embaixo, dá trampo e o que faz valer a pena é ver tudo isso realizado e dando resultado.

CC – O que a galera pode esperar da apresentação do Enema Noise no dia 13/11?

Murilo
: sinceridade.

Marcelo: pode esperar rock de verdade.

LACUNA


Enraizada em propostas mandatórias para aqueles adeptos do rock sem máscaras, a banda Lacuna simplesmente produz música sem levantar bandeiras e sem jogar confetes. Com apenas alguns meses de existência, o quarteto formado por Sérgio Mota (bateria), Bruno de Oliver (baixo), Alexandre Fontenelle (guitarra/voz) e Michel Aleixo (guitarra/voz) condensa sub-estilos como o alternativo (Mudhoney) e o stoner (Kyuss, Queens Of The Stone Age) com a integridade do rock garageiro. No myspace do Coletivo Cultcha é possível ouvir a música "Black Dolls Take The Honnors", gravada para a coletânea vol. 1 do Coletivo Cultcha.

www.myspace.com/coletivocultcha

ENTREVISTA


CC – O Lacuna é a caçula das bandas que ajudaram a formar o Coletivo Cultcha, como vocês vêem essa movimentação na cena independente com músicos se juntando com outros músicos e organizando seus próprios shows ?

Sérgio: Sim, somos o filho menor do Cultcha. Vemos como uma coisa natural, de quem tem sede por fazer música. E é muito bom que isso esteja acontecendo maravilhosamente bem na cena independente brasileira e começando a pipocar aqui no DF também. É o caminho. O Cultcha é um bom exemplo disso, assim como outros grupos agitadores da cena como o Torneira, o coletivo Esquina, o Bloco e tal, entre outros...

Vamos unir essa gente toda e agitar a onda aqui no DF!

CC – Vocês estão preparando alguma surpresa especial no show do dia 13/11?

Sérgio: Não... nada muito específico. Estamos compondo músicas novas, o que não deixa de ser uma surpresa..., ensaiando, polindo nosso som e tal, e com isso tentar fazer shows com muita energia.

Bom, dia 13 cai numa sexta, né? Sexta feira 13! Tudo pode acontecer... (risos)

CC – Falem um pouco do petardo de vocês registrado na Coletânea Cultcha, “Black Dolls Take The Honnors”.

Sérgio: Um petardo?! Uau! (risos) Bom, a Black Dolls Take The Honors foi uma de nossas primeiras crias e gostamos muito dela. Reflete um pouco algumas de nossas grandes influências, que são várias, mas mais em comum os anos 90, o tão falado stoner tambem e tal. É uma música bastante enérgica e adoramos tocá-la em nossos shows! Rooock!

Michel
: Ela nasceu de uma experiência que tivemos num bar de motoqueiros gays. Os Black Dolls são um grupo de desordeiros que andam em Harleys’s e Vincent Black Shadows. Eles são facilmente distinguidos por usarem sempre um lenço rosa envolto no pescoço. Não vou dizer aqui como fomos parar neste bar, mas o que posso dizer é que quando se trata de levar certas experiências ao limite, os Black Dolls realmente merecem todas as honras.






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