sexta-feira, 26 de junho de 2009

A VOLTA DA BOLACHA


por Michel Aleixo



O rock ‘n’ roll é cíclico, e tal afirmação não se restringe a música. Como se sabe, ele também dita tendências de comportamento, moda, atitude. No rock, o novo nada mais é que uma reinvenção do velho.

Neste Anno Domini de 2009, as grandes cadeias de lojas de discos continuam fechando no mundo todo. Segundo dados da Nielsen SoundScan, em 2008, as vendas de CDs nos Estados Unidos caíram 8% em comparação ao anterior. Enquanto isso, a venda de álbuns digitais cresceu 32%, batendo o recorde de quase 66 milhões de unidades. As vendas de faixas individuais no site iTunes cresceu 27%, e pela primeira vez, ultrapassou a marca de 1 bilhão de unidades vendidas. Retratos dos novos tempos.

No mesmo período, o bom e velho disco de vinil vendeu cerca de 1,5 milhões de cópias. Assim como as vendas de toca-discos, que também cresceram substancialmente. Bandas como o Radiohead que disponibilizou seu último álbum, In Rainbows para download ao preço que o fã achasse justo, vendeu 13 mil cópias dele em vinil. Assim como os Raconteurs, banda-projeto do bluesman Jack White dos White Stripes, seu álbum “Consolers of the Lonely” saiu acompanhado do singelo aviso: "recomenda ouvi-lo em vinil”.

O que estaria causando esse ressurgimento dos bons e velhos bolachões, numa era de lojas falidas e poligamia virtual? Uma das explicações mais plausíveis é justamente a maneira como se compra e ouve música hoje. Arquivos digitais como mp3 e wma, comprimem as gravações de tal forma, que o som torna-se extremamente saturado. Nuances e timbres que já haviam sido afetadas com o surgimento do CD, praticamente desapareceram na era dos fones de ouvido e alto-falantes de computador. Ao contrário do que muita gente pensa, o vinil é o formato que melhor reproduz graves e outros timbres.

O que tudo isso leva a crer, é que por mais que o mundo se torne imediatista e prático, onde é mais fácil – e barato – baixar um disco, muita gente ainda presa por qualidade. Isso prova que o CD nunca vai morrer e muito menos o vinil, que já completa mais de 60 anos de existência. Se nessa conta do crescimento de vendas do bolachão estiver inserida a turma que gosta do que é moda, ponto para todos. A geração da internet deve saber o que é desfrutar de uma banda que também teve atenção com a parte gráfica de seu álbum, capa, encarte. Os analistas de plantão, os que previam o apocalipse do vinil erraram feio. As bolachas já foram cult e hoje são cool. A boa música que toca girando suave, cíclica como o rock ‘n’ roll.

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