terça-feira, 2 de junho de 2009

COLETIVO CULTCHA


Nos últimos anos, temos presenciado a consolidação da produção cultural independente no Brasil. Consolidação essa, proporcionada pela democratização e pelo advento de modernas tecnologias de comunicação (leia-se internet).

A internet nos proporciona uma chance única de romper barreiras e de disponibilizar, para quem quer que seja, a nossa própria produção intelectual. Blogs, Myspaces e afins permitem que simples pessoas expressem seus anseios criativos das mais diferentes formas, mantendo vivo o ideal do “faça você mesmo”.

O rock independente no Brasil tem utilizado largamente dessas fontes para fortalecer cenas regionais, firmar parcerias e quebrar o monopólio das grandes corporações da indústria musical que, como podemos observar, encontra-se em declínio. Não há mais espaços para aquele sonho que muito tempo embaçou a mente de milhares de bandas: de que, um dia, um representante de uma grande gravadora iria assistir ao seu show oferecer um contrato para, no dia seguinte, a sua banda gravar um disco e sair em turnê. É incrível como, citando este exemplo, ele soa extremamente patético, mas, na realidade, ainda há muitas pessoas que acreditam nisto.

Cidades como Goiânia e Cuiabá têm dado passos significativos na “agitação” das suas atividades culturais. Rezando na cartilha do “faça você mesmo”, criaram uma rede de contatos com pessoas de outros estados e, até mesmo, de outros países que compartilham dos mesmos interesses e que foram mais adiante, aprendendo a utilizar recursos públicos de incentivo à cultura para o financiamento de seus próprios festivais e estabelecendo parcerias com patrocinadores.

Em Brasília, sempre se vendeu o mito de capital do rock, mas nós, que somos roqueiros na cidade, sabemos que não é bem essa a realidade. É verdade que existe uma cena, por mais anêmica que seja ela existe, mas encontra-se concentrada nas mãos de poucos “gatos pingados” que preferem manter tudo na mesma, fechado somente para uso do seu clubinho secreto de amigos. Muitos de nós, na verdade, ainda fazemos as mesmas coisas que o Aborto Elétrico, por exemplo, fazia em 1979, que é tocar em troca de uma tomada em qualquer lugar.

O Coletivo Cultcha é fruto do casamento das bandas brasilienses Deluxe Jazz Fuckers, Lacuna, Leda, River Phoenix, Valdez e Vitrine, somadas a uma dezena de parceiros que acreditam serem capazes de criar e de sustentar uma rede de contatos e de produção de eventos em Brasília. Todos eles são conscientes da necessidade de uma cena sólida local, que permita às bandas realizarem e divulgarem os seus trabalhos.

O Coletivo Cultcha tem, então, o objetivo de produzir shows de forma organizada e eficiente e de ir estabelecendo contatos com pessoas de Brasília e de outras cidades que também produzem eventos, criando, desta forma, uma rede de comunicação e de troca de interesses. Ele também tem por objetivo compartilhar informações relacionadas ao universo musical e discutir propostas e soluções para a divulgação de seus trabalhos autorais.

O primeiro passo já foi dado no mês de abril, com o show de Pré-lançamento do Coletivo Cultcha no Blues Pub, em Taguatinga Sul, onde as bandas Leda, Valdez e Vitrine apresentaram seus trabalhos e deram início ao primeiro de uma série de produções de eventos que visam fomentar a cena cultural independente do Distrito Federal.

A você leitor fica o convite de nos conhecer, se unir, somar e interagir.

3 comentários:

  1. Bacana a iniciativa

    Apoio ainda meio que perdido, pois acredito que quanto mais rápido tornarmos público o desejo de uma cena sólida e estruturada, os "gatos pingados" não vão querer perder essa e ficar de fora.

    Força sempre!

    Leleco

    ResponderExcluir
  2. Faço parte de uma Banda e gostaria de saber como podemos participar dos eventos?!
    rockxsina@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  3. Sou o vocalista e guitarrista da banda de rock KANDELABRUS queremos saber como podemos estar aptos a participar desse coletivo em seletivas. jhileade@hotmail.com / jhileade@gmail.com

    ResponderExcluir