quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

RESENHA PORNOVINTAGE


Texto de Ennio Villavelha
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar



22 de dezembro do ano de Vosso Senhor de 2009. 03:54am


“Se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe”. Henry Miller

Para todo o efetivo do Coletivo Cultcha o ano foi de total inclinação ao aprendizado: como adquirir as competências específicas para poder tornar este organismo cada vez mais forte a qualquer antibiótico que queira condicionar a coceira destes cães. Seguramente cada evento se mostrou mais cheio de contornos de maturidade profissional, integrando amplamente todos os recursos possíveis para promover um nível de organização que pendesse a um clima bom para o músico e para a audiência; sem nenhuma institucionalização à terceiro setor burocratizado ou qualquer dessas palavras da moda. Ano chapa branca e neste momento abraçando uma empreitada valiosa com a agência Fora do Eixo.

Os assuntos são muito difusos entre abusos de álcool, tabaco, audição, xxxxxxxx, xxxxxxxxx, xxxxx, pequenos desgastes entre relações pessoais, hematomas e sede na madrugada. Dito isto somente para dar a devida importância a estas ordinárias e naturais atuações humanas, é saudável admitir perspectivas para aprender a lidar com o outro, consigo mesmo e trabalhar como alcatéia que se protege. São essas coisas que dispersam os nojentos-bullshit e mantém os nojentos-apaixonados que se respeitam no mesmo nível, independentemente da temperatura. Mais reflexões deixemos para as mesas de boteco.

Vamos à resenha:

Cheguei no Botequim Blues cedo em relação ao horário do show, mais de três horas antecediam ao que seria a última barulheira do ano produzida pelo Coletivo Cultcha. Alguns empregados dando os últimos retoques na bilheteria e no chiqueirinho dos fumantes, chiqueiro também daqueles que querem respirar um ar arsênico-naftalinado dos cigarros alheios. Ao lado da porta do hotel adjacente uma dama-da-noite, andando de um lado para o outro, fazendo finesses para os passantes, vestindo apenas uma tarja preta que seguia aproximadamente cinco dedos abaixo do capô e dois dedos acima dos faróis. Logo que entro encontro o engajado Alysson Diego, sentado e sozinho refletindo, um verdadeiro Pensador de Rodin, só que a mão no queixo desceu para o saco, ficamos conversando pérolas altruístas e egocêntricas enquanto a outra leva da equipe trazia alguns objetos que faltavam. Creio que é a primeira vez que chego ao local do evento e encontro o palco pré-montado, já quase totalmente encaminhado. Normalmente meus calos de relaxamento manual participam de todo o processo de montagem e passagem de som. E, já no tema, esta montagem foi um pouco trabalhosa por conta detalhes que não percebemos logo de cara. Um cabo conectado no local errado e outro não embocado bem na fêmea correspondente. Eu e Davi Kaus decifrando o pequeno emaranhado no escuro ao lado da mesa de som, nada de mais, porém causou uma perturbação. Além do pequeno choque que sofri ao religar um detalhe na iluminação. Foi gostoso igual a choque que gado toma no lombo.

Nesse meio tempo as bandas foram se aproximando, reconhecendo o ambiente. Somente a Brown-Há checou o som. A essa altura os retornos já haviam amansado, com os cabos em ordem, faltando apenas assentar o monitor individual do Dennis-Vocal-Os Inimitáveis, segundo o próprio “tem a finalidade de conter uma surdez progressiva”, faz bem.


Por volta de 00:00 a Brown-Há subiu no palco. Foram eles que apuraram os ouvidos da rapazeada para se aproximarem. Chegaram por volta de dez pessoas, que se somaram a mais dez que se somaram a tantas outras mais que estavam querendo acompanhar a ocasião. Fernando-guitarrista ostentava acima do cubo um peculiar Bart Simpson, ofuscado apenas por uma clássica Richenbaker que empunhava. O show foi rolando, percebi algumas influências evidentes, anos 70, Brit Rock, por exemplo. O que me pegou de acometimento foi o trecho de uma música: “Eu quero viver de Rock ‘n Roll!Tchan tchan tcharam tchan tchan tcharan nan!”. Entrei em paranóia delirante, por estar nessa há tanto tempo e não ganhar nenhuma balinha 7 Belo; não posso nem me dar ao luxo de “querer viver de rock n’ roll”, me contento em deixá-lo somente como ópio por enquanto. Destarte o show foi rolando, achei muito apropriado para a banda o estilo de execução do Rodrigo-baixista, dando a pulsação necessária para as ênfases nos detalhes de cada música. Foram bastante competentes, uma boa apresentação. Fez valer os comentários que já fazem na cidade.

O silêncio perdurou estranhamente por uns instantes após a apresentação da banda, por conta um detalhe técnico, até que o disc-horse-jockey Lapão da Lapônia voltasse a ajoelhar e rezar com as falanges no play, para os esqueletos rebolantes continuarem a bebericar animados. Agradável é ver sempre novos rostos nos eventos; isso torna evidente a formação de um novo gosto, diferenciado por assim dizer, e da influência do Coletivo na geografia da noite em Taguatinga. Houve até uma caravana de estudantes. Me fez lembrar do biomecânico Silvio Santos e do seu auxiliar Roque, no nosso caso o Rock, personificado no Everaldo que teve a sacada de arrastar o time pra se divertir. Troca de palco, lá estou com meus parceiros para botar a próxima banda no páreo. Não somos gênios do áudio, mas somando a gente da quase o cérebro do Jack Endino, se não der o cérebro talvez dê a glande. Mas chega de trocadilhos infames.


Os Inimitáveis estavam com um semblante de cansaço. Ficaram por ali vagando amistosamente, vendendo seu material que parte ficou no bar, disposto entre as garrafas de destilado, até serem convocados a iniciarem a tão aguardada apresentação. Sem dúvida o longo percurso Cuiabá Brasília é desgastante. No momento que antecedia o início da bagaça, baixou algum Pazuzu que certamente vagava nos anos 60 entre os músicos da Jovem Guarda. Totalmente alinhados em seus ternos, o outrora semblante de cansaço foi transfigurado em cara confiança e de satisfação por darem início show. Tocaram seu material muito divertido e sagaz. Por um momento – sem demagogia – me peguei vendo uma super banda com gosto de banda baile + Rock + Jovem Guarda+ algum outro elemento que não sei definir, mas que me fez muito bem e fez muito bem a todos os presentes. Uma unanimidade recreativa, classe A. Não vou aqui encher de lantejoulas. É só dar uma rápida procurada que se encontrará fãs lustres-ilustres da banda: Paulo Ricardo, Wander Wildner, Beto Bruno, Dinho Ouro Preto, Supla, Sérgio Mota e aquele vocalista do Bikini Cavadão. Entre “Vésperas” e “Mulheres de Cabaret”, tocaram ‘O Portão’ do grande leão domesticado, o Rei consorte Roberto Carlos. Fiquei imaginado “meu cachorro me sorrindo latindo”. Até hoje tento decifrar que porra é essa. É tão poético, lindo e tão bizarro em contrapartida, amo essa canção. Enquanto o Dennis se esganiçava no refrão, um camarada – Rick – conseguiu um óculos, o colocou no rosto e sem o tirar completamente ficava subindo e descendo entre a testa e os olhos, entre o míope turvo e o normal, feito uma peste louca, do início ao fim da música. E lembrando, ele não tem problemas na visão. Poderia certamente ser uma personagem do Monty Python. Foi um show excelente.


Após o interlúdio, sobrou a ‘responsa’ para os patrícios d’Os Dinamites, que não deixaram por menos. Chegaram rasgando. Senti falta do upright bass, o vulgo rabecão, característico de bandas Hillbilly-Rockabilly, é considerado como um membro da banda por muitos. Fostom Prison do Johnny Cash ganhou uma parceira em DCA Prison Blues, uma a alusão à Delegacia da Criança e do Adolescente, é para onde vão os malfeitores do DF que não completaram 18 anos, mas cometem crimes de igual ou maior natureza dolosa que os veteranos na área. Uma versão competente de um clássico que animou os agora já bêbados da turma da cabeceira, que continuaram abraçados. Foi bom reencontrar o Felipe Ipe Uha-baterista, um velho chapa de cervejada. Abandonou as quatro cordas, mas botou pra moer nos tambores com síncope agarrada no tempo forte, engrossando outros temas como ‘Rei do Rock’ e ‘Cowboy de Entrequadra’. Muitas bandas ao vivo dão mais frescor ao disco, e nesta referida noite foi o caso. Claro que sem denegrir o material gravado; recomendo como das melhores no segmento em Brasília.


Mais uma noitada de sucesso dos atletas sexuais do Coletivo Cultcha. Encerro aqui este breve panorama ‘highlights’ ou coisa do tipo. Aos cristãos, macumbeiros, pagãos, bichas, judeus, diplomatas, travestis, solitários, taenias, parasitas, monges, grávidas lindas e todas as outras categorias que usam a música para transcender – menos a OMB –, deixo aqui nossos cumprimentos cordiais.

Boas Festas! Rock Sempre!

domingo, 13 de dezembro de 2009

PORNOVINTAGE


Salve amigos! na próxima sexta, dia 18/12, será realizado o último evento do Cultcha no ano, mais uma vez no Butiquim Blues Praça do DI, Taguatinga Norte, a partir das 22 horas. As atrações serão Brown-HÁ, Os Dinamites e Os Inimitáveis (MT). A entrada será a R$ 7. A seguir um raio X das bandas que vão incediar a noite do Coletivo Cultcha. Nós vemos lá!

BROWN-HÁ


Elétrico, dançante, intenso, divertido, contagiante. Essas são algumas definições atribuídas ao quinteto brasiliense Brown-há. A banda, formada em 2005, vem se destacando na cena local com um rock n’ roll autêntico e energético, resultado das mais diversas influências de seus integrantes, que vão do rock britânico atual ao rock setentista que marcou época. O Brown-há é formado por Fernando Jatobá (Guitarra/Vocal), João Paulo (Vocal), João Henrique (Guitarra), Rodrigo Serpa (Baixo) e Ricardo Jatobá (Bateria). A banda possui um Ep lançado em 2008 com seis faixas e mesmo com uma agenda de shows intensa, já prepara um lançamento para o ano seguinte. A seguir uma entrevista com Fernando Jatobá, guitarrista da banda.

www.myspace.com/brownha

ENTREVISTA

CC: A banda já tem quatro anos de estrada e um EP lançado. Pra quem não conhece ainda fale um pouco desse EP.

Fernando Jatobá: Nossa banda possui 4 anos de formação, como vocês já citaram, e ano passado (2008) resolvemos entrar em estúdio para gravar algumas músicas, já que um material físico bem feito começou a ser necessário uma vez que os shows estavam ficando cada vez maiores e mais frequentes. Juntamos uma grana e gravamos 6 faixas em uma semana diretão pra poder então começar a mostrar mesmo nosso trabalho para as pessoas. Mil cópias foram feitas. Hoje não temos mais nenhuma em mãos. Em Janeiro pretendemos entrar em estúdio novamente e gravar mais algumas músicas novas, provavelmente lançando somente pela internet e disponibilizando-as para download (assim como nosso EP) para então no meio do ano que vem ou final, gravar um “Cdzão” mesmo.

CC: Vocês junto com o Enema noise, Cassino Supernova e Tiro Williams (bandas que já participaram de eventos do Cultcha anteriormente) integram o Coletivo Esquina. O que mudou pro Brown-HÁ depois que passou a integrar o Coletivo Esquina?

Fernando Jatobá: O Coletivo Esquina é muito novo ainda. Resolvemos nos juntar para tentar mudar e movimentar a cena de música principalmente, independente da cidade. Muda muita coisa entrar em um coletivo. Desde as reuniões para decidir eventos e organizações internas, até fazer contatos com outras cidades e outros coletivos. Hoje nós temos contatos no país inteiro, tendo a chance de mostrar nosso trabalho para mais e mais pessoas. O Coletivo abre portas para que você mostre o seu trabalho tanto na cidade como fora. Para que isso aconteça é necessário muito trabalho na cidade, mostrando para todos que você quer mudar o cenário e ajudar a música independente. Como o Coletivo é muito “jovem” ainda, estamos com mais projetos mesmo para o ano que vem (2010), mas a entrada da banda no Coletivo (praticamente fundando o Coletivo com as partes que vocês já citaram) já esquematizou muita coisa pra gente. Só esse ano fizemos shows em Cuiabá/MT, Novo Hamburgo/RS, Inhúmas/GO, Anápolis/GO, Goiânia/GO, Uberlândia/MG entre outras cidades. A partir do momento que você mostra interesse em ajudar a música independente tanto em sua cidade como fora e quando sai e mostra um trabalho com qualidade, convites vão surgindo e a banda vai crescendo dessa maneira.

CC: Como estão as expectativas da banda pra tocar no dia 18/12 em Taguatinga?

Fernando Jatobá: Expectativas grandes para tocar dia 18/12 uma vez que será nosso primeiro show no Botequim Blues com os parceiros do Coletivo Cultcha! Ficamos sabendo que vamos dividir palco com Os Dinamites, uma banda muito boa da cidade e os grandes amigos cuiabanos Os Inimitáveis. Uma noite que promete muito rock’n roll da parte de todas as bandas. Já vi shows das duas outras bandas e garanto que ninguem consegue ficar parado, assim como no nosso show, só podemos prometer música boa e uma noite regada de rock’n roll para todos!! Para aqueles que quiserem ficar por dentro de tudo sobre Brown-HÁ, é só entrar no nosso myspace (www.myspace.com/brownha) ou nos seguir no Twitter (www.twitter.com/brown_ha) ou nos conhecer no Blog Brown-HÁ onde relatamos todos os shows e viagens (www.brown-ha.blogspot.com) . O lema da banda é um só: viver de rock’n roll!

OS DINAMITES


Misture Rock and Roll, topetes, muita diversão e acenda o pavio! Está feita a combinação nitroglicerinada da banda Os Dinamites! Um Power trio formado por Lucas Billy (contra-baixo acustico e vocal), Danny Boy (Guitarra) e Felipe Ipe Uha (Bateria) que invadiu os palcos em 2007, e se destacou com um Rockabilly explosivo e original. Com hilárias composições romântico-canastronas flambadas a Whisky e versões dos mestres dos anos 50, a química é certa: muita diversão vinda de cima do palco, resultando em um show energético e dançante. Com um Ep na bagagem que pode ser baixado diretamente no link mundodastrocas.blogspot.com/search?q=os+dinamites, a banda vem ganhando espaço na cena rock brasiliense e nacional, e promete muito mais pela frente.

www.myspace.com/osdinamites

ENTREVISTA

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

Os Dinamites: Achamos que esse tipo de iniciativa é o que falta aqui em Brasília, isso é saudável para o Rock local e nacional. Pessoas como vocês tem que existir pra que o rock continue fazendo sentido, e nós apoiamos e queremos contribuir com tudo que for possível.

CC: Quais são as maiores dificuldades que Os Dinamites enfrentam na cena independente local?

Os Dinamites: Uma das grandes dificuldades tem sido conseguir um bom produtor, ou uma produtora, para cuidar dos “negócios” da banda. Pois sem essa assessoria as coisas ficam bem mais difíceis em todos os sentidos, desde lugares para tocar, contatos, até a produção de um CD, principalmente em Brasília, onde as panelas elitizadas do rock predominam, mas é claro que aos poucos isso vem mudando. Até hoje estamos caminhando sozinhos, mas sabemos que na hora certa vai aparecer alguém.

Mas a iniciativa de algumas pessoas nos fazem mais ansiosos para tocarmos um som empolgado e divertido, existem eventos grandes em Brasília, mas eu acho que eventos ligados ao Rock`n`Roll em geral, são poucos, porque querendo ou não, nosso público é o mesmo público de varias outras bandas, não existe um público especifico, mas o que tem, é sempre muito empolgante.

CC: O que as pessoas de Taguatinga podem esperar da apresentação de vocês, no dia 18/12?

Os Dinamites: Depois de vários meses em casa se preparando pra voltar, Os Dinamites trarão em seu repertório além de músicas e covers novos, muita empolgação nessa “reestréia”. E podem preparar seus esqueletos, porque vamos botar pra quebrar.

OS INIMITÁVEIS


A banda oriunda de Cuiabá no Mato Grosso, começou suas atividades em 2007 fazendo releituras da singela Jovem Guarda e em menos de 1 ano já haviam mais de 100 shows na bagagem, não demorou muito para criarem um repertório próprio. Com performances cheia de energia no palco e músicas irreverentes fáceis de cantar, o show se torna um prato-cheio para diversão. Em janeiro deste ano lançaram o primeiro single: Mulher do Cabaré, com mil cópias espalhadas pelo país com um encarte que remete ao compacto vinil. Em julho lançaram o single Véspera, também com um encarte charmoso e ainda realizaram um lançamento especial com a participação dos Brothers of Brazil (Supla & João Suplicy), que depois resultou em uma mini-tour por Mato Grosso. Os Inimitáveis vem percorrendo os festivais independentes com o Grito Rock de Cuiabá-MT e Londrina-PR, Bigornada de Campo Grande-MT, Eu Quero É Rock de Ji-paraná-RO e o mais recente e importante, Festival Calango, onde receberam boas críticas ao lado de grandes nomes da música independente. Vejam o show e tirem suas próprias conclusões!!!

www.myspace.com/inimitaveis

ENTREVISTA

CC: E aí caras, essa vai ser a primeira vez que vocês vão tocar no Distrito Federal?

Os Inimitáveis: Olá moços, será nosso segundo show na capital do país. O primeiro aconteceu em outubro de 2008, na UK Brasil. Mas esse show será muito especial pra gente, pois estamos muito mais concisos no trabalho que estamos fazendo hoje.

CC: Falem um pouco sobre como é a cena de Cuiabá?

Os Inimitáveis: Eu não sei se é culpa do calor que chega até 45º na sombra, mas o fato é que a HELL CITY, como é conhecida Cuiabá, está dando bons frutos a cada dia que passa. O Espaço Cubo, Volume e o Sindicatto cada vez mais com eventos profissionais e ações que servem de vitrine para todo país. O surgimento de boas bandas também tem acontecido com freqüência e cada vez mais o engajamento delas na consolidação da cena está sendo maior.

Aproveitar e mandar um beijo aos lindaços da MACACO BONG, RHOX, SNORKS, N3CR, VIETCONGS, RAIVA EM PAZ, SUPER URBANO, VENIVERSUM e aos tantos outros cheirosos que fazem nossa Hell City esquentar ainda mais.

CC: O que a galera de Taguatinga pode esperar do show dos Inimitáveis no dia 18/12 em Taguatinga?

Os Inimitáveis: Sim, estaremos de terno... hahaha. A Inimitáveis é uma banda que funciona ao vivo. A galera do Valdez e Brown-há sabem do que estamos falando.

Vai ser um show muito divertido. Neste momento estamos roendo as unhas para o festival Fogo No Cerrado que acontece em Campo Grande-MS, de lá partiremos para shows em Vilhena e Porto Velho-RO e só depois Brasília, ou seja... Estaremos transpirando rock ‘n’ roll.

Caso queiram esquentar a cidade... hahaha. Acessem www.inimitaveis.com.br

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

RESENHA SIAMESE TWINS PARTE II



“Se radicalizarem comigo, também vou radicalizar.” – José Roberto Arruda, Governador


Texto de Michel Aleixo
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar


E então Almirante, o que dizer das últimas semanas em Brasília? Pannetones, meias com notas de 50, um governador fajuto e mais uma vez comprovamos que somos representados por uma Câmara Legislativa mais maculada que a Bruna Surfistinha. Mas isso é outro assunto. Enquanto isso, o Coletivo Cultcha segue firme e fortalecido, obrigado. Como você leu no post abaixo, nos dias 13 e 14 de novembro aconteceu a primeira dose dupla de shows realizada por ele.

Continuando de onde o Calouro parou, os microfones sobreviveram à fúria do “de menor” Lamin e com bolsas nos olhos, a equipe Cultcha recomeça a tarefa de sísifo de prover som, luz e tietagem de qualidade para as bandas do segundo dia: Tiro Williams, Leda e o Evening, o primeiro grupo de fora do quadrilátero federal recebido pelo Coletivo.

O Tiro Williams são os primos. O show é obviamente baseado em seu primeiro disco, produzido por Gustavo Bill do High High Suicides em seu estúdio Macaco Malvado. O trabalho resenhado por Igor Silveira, do Jornal de Brasília como "um disco ensolarado, ideal para ser ouvido em uma viagem de carro, em direção ao litoral", é com o perdão do trocadilho, um “tiro” certeiro, sendo considerado por muitos um dos lançamentos mais celebrados do rock de Brasília neste ano. Ao vivo o quarteto é sucinto. Trocando de instrumentos o tempo todo e com uma Fender Jaguar que servia de televisão de cachorro para os guitarristas da platéia, os caras condensam Superguidis, Strokes e Pavement, fazendo aquele naipe de rock tido hoje como o mais moderno da praça. Pra mim, o ponto alto do show é a inspirada música Sal Paradise.


“O show foi do caralho! A gente tava desanimado porque estávamos num churrasco mais cedo, já chegamos cansados. Mas colocamos as guitarras no máximo e acho que nosso desempenho foi até inesperado”, conta Eduardo. “Não sei se foi porque a gente tava bêbado, mas foi um dos nossos melhores shows. Geralmente o pessoal fica paradão, mas aqui todo mundo agitou. – “O Cultcha está sempre de coração aberto”, eu disse. – “Tava tão bom que o cara avisou que era a saideira e eu não sabia se ele tava falando da cerva ou da música”, acrescenta o baterista Artur. A banda também representa um Coletivo: “Sim, a gente faz parte do Coletivo Esquina que é, digamos assim, o braço de Brasília do Circuito Fora do Eixo, e todo esse lance que está rolando é essencial pro cenário daqui. Não só Plano Piloto, Taguatinga também e todas as satélites”, afirma o guitarrista Moraes. “Não é só porque é rock que é só diversão. Tem que ter a parte administrativa, correr atrás, achar onde tocar, investir dinheiro em cima”, conclui.

Para o segundo round, clima melancólico no ar. O Leda está se preparando no palco para o show anunciado como a despedida do guitarrista Maurício Kozak, de mudança para Curitiba. Certamente por isso, a apresentação foi uma das mais inspiradas que já vi da banda. Fúria e feedback. Nem o baixo deixava de fazer microfonia, num kaus consonante e dissonante ao mesmo tempo. Sem falar da cereja do bolo: o wah wah do Mauricio que mais uma vez, deixou a Trompa de Eustáquio de todos os presentes com uma semana de ressaca. Antes da última música, Davi se declara para Mauricio que não contém as lágrimas e quase não consegue cantar a saideira, foi um momento doce. Imediatamente me vieram como trilha sonora, alguns versos da música Baby Come Home que acabara de ser executada: “I walk in a empty road, saying things that nobody want to hear. But I wish, I wish, you were here.”

Encontro Davi e Maurício lá fora para registrar ainda quentes, suas impressões. “Show emocionante hein!”, digo empolgado, emendando: “E aí é o fim da banda mesmo?”. Um silêncio de infinitos três segundos me faz perceber que naquele momento, o tema é desconfortável. Os dois disputam um “quem pisca primeiro” tentando ver quem consegue abdicar da resposta. Maurício cede: “Cara, a questão é que distância é sempre um problema, mas assim, tenho que encarar as coisas em Curitiba primeiro, mas por mim a banda não terminava, tem tudo a ver, as pessoas gostam da gente”. Mudo a direção do meu taco, falem do show: “O show foi ótimo, o Caju [baixista] estava encapetado. Eu quis fazer um show especial em homenagem ao Mauricio”, diz o Davi. Que se declara mais uma vez ao parceiro: “Cara o Mauricio é o mentor musical do Leda. Ele que deu a direção da banda, esse lance guitar band, shoegaze e tal, então a internet ta aí, ele pode mandar idéias, podemos mandar coisas pra ele, não tem porque terminar”. – “Ele vai levar o wah wah né, o quinto elemento da banda”, interfiro. “Sim, ele vai levar o wah wah que é a parte alta de Baby Come Home, o pedal é o George Martin do Leda”, completa Davi, arrancando gargalhadas. “Mas a gente vai continuar. É muito bom o Leda, bom demais”.

Davi precisa assumir seu ofício de operador da mesa de som e fico sozinho com o Mauricio. Digo que me lembro da reunião de criação do Cultcha, em que ele somou sua experiência em empreendimentos similares e teve naquele momento, um papel essencial no direcionamento que o Coletivo precisava. “Agradeço muito a consideração de todo mundo, a compreensão dos meus por quês e continuo achando que a idéia [coletivo] é muito boa e espero que ela se estenda para outros campos da cultura. Acho que o Cultcha pega o rock como priori agora porque é um processo de amadurecimento. Mas tenho certeza que com o gás de todo mundo, o Cultcha vai vingar e muito”, ele diz.

Lá dentro começam os acordes dos anapolinos do Evening. Subitamente, a atmosfera do Botiquim pega a BR 060 sem escalas. Estamos todos no Centro Cultural Martim Cererê, Goiânia. Não tem jeito, esses goianos têm um timbre muito característico, sem falar na tendência de cantar em inglês e soar como o rock anos 90 em seu período boreal. Deve ser o arroz com pequi, sei lá. O que vale é que o power trio soa sujo e forte, stoner do puro suco, com um baixo de muita presença. Como não podia ser diferente, a moçada delirou. Eles tocaram todo o set programado, a turma pediu bis; tocaram mais uma trinca, inclusive uma música nova, e outro pedido de bis; o jeito foi encerrar com Queens of the Stone Age e Mudhoney; só aí todo mundo se sentiu saciado.

“Primeira vez aqui no DF, melhor ainda, em Taguatinga, massa pra caralho! O público curte um som pesado, receptividade muito foda! Tocamos as nossas músicas quase todas, pediram cover, mandamos música que a gente nem toca no nosso repertório, experiência do caralho!”, resume extasiado o guitarrista Leonardo. Sobre o sotaque musical das bandas de Goiânia, o baixista Paulo acha que faz sentido: “Com certeza tem essa influência do rock goianiense mesmo, o rock da capital de Goiás. A gente gosta muito, sempre acompanhamos os festivais lá, Mechanics, MQN, Black Drawning Chalks, rola influência total!”.

Falando de negócios, pergunto como foi pegar a estrada, a recepção do Cultcha. “Anápolis é pertinho, massa demais. A galera recebeu a gente super bem”, afirma Leonardo. “A gente tem o Coletivo Pequi, estamos na rede Fora do Eixo desde maio desse ano. No Bananada sentamos com o pessoal do Cubo, do Goma, a gente pensou na criação de um circuito goiano de música independente, a exemplo do circuito mineiro, e rapidamente já estamos fechando muitas parcerias em várias cidades, hoje estamos fechando mais uma”. O guitarrista também fala dos futuros passos do Pequi: “Vamos montar um espaço em Anápolis chamado Espaço Pequi, que além de servir de sede, terá um estúdio de gravação e ensaio, lojinhas de CD e moda e especialmente, servirá como casa de shows”, acrescenta.


Depois disso, só restou desarmar a lona, o circo deixa a cidade mais uma vez. A seguir, você confere as informações do último evento do Coletivo Cultcha no ano. Em 2010, o céu não é o limite. Se uma dupla de boçais como Durval Barbosa e Joaquim Roriz fizeram todo esse estrago, o plano de ação do Cultcha vai empalar muita gente pelo caminho, pode colocar suas fichas. Cara, o próprio Marechal Rondon ficaria orgulhoso, você também vai ficar. Estamos falando de blitzkrieg pra valer, diplomata.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RESENHA SIAMESE TWINS PARTE I


Ventos de mudanças sopram sobre a praça do DI em Taguatinga. Eles vêm de todas as partes do Centro Oeste e se encontram ali para inspirar a noite daqueles que buscam por uma experiência incomum. Logo esses ventos viram o meio de propagação de ondas distorcidas, inquietas, inconstantes, chiadas, subversivas e eletromagneticamente irregulares. Tais estímulos quando codificados pelos vários sensores espalhados pelo corpo humano, provocam as mais diversas reações extremas. São capazes de levar uma pessoa a histeria, a loucura ou até mesmo a violência. Ao mesmo tempo, há algo estranho nesse fenômeno, responsável também por conectá-las e as unir como se estivessem sob efeito de um ritual.


Texto de João Paulo Cabral
Fotos de Andreia Cristinne Aguiar


E assim aconteceu mais uma vez, durante o “Siamese Twins” nos dias 13 e 14 de Novembro, promovido pelo Coletivo Cultcha. No primeiro dia, Maurício Kozak discotecou e três bandas vindas cada uma de uma cidade do DF, invocaram fogo sobre o público em mais um ritual de ressurreição do rock de Brasília. Lacuna, a anfitriã da noite (Taguatinga), Enema Noise, o elemental do caos (Brasília) e Darshan, a boa nova das terras ermas (Sobradinho). 120 pagantes compareceram a um custo de R$7 ao Botequim Blues, que foi reformado. O novo lugar agora dispõe de três ambientes diferentes, um para a galera conversar e fumar do lado de fora, outro de jogos com sinuca (R$1.50) e fliperama (R$1.00) e o principal, onde rola o som.

Começo desta vez indo para o show em Taguatinga, no carro com o Darshan. Oliver (voz/guitarra) está nervoso, João Paulo (baixo) dirige aparentando uma calma além do normal e Thuyã (backing/guitarra) é o único que abre a boca para quebrar a tensão da viagem, gritando como uma bixona para a gente rir. Pergunto a eles se estão tranqüilos. “Não sei se é ansiedade ou nervosismo, não consigo pensar em nada. Só em chegar lá e imaginar qual vai ser o problema”, diz Oliver. “Você fala que está tranqüilo não por que está”, explica Jota Pê “mas para se tranqüilizar”. Enquanto o outro guitarrista segue pirraçando a esposa de Oliver, chamando-a de “cumadi”, Jota Pê pergunta. “Quais músicas que a gente vai tocar?”. “Qualquer uma, lá na hora a gente vê”, responde Oliver e indaga. “Por que a gente só vai tocar 30 minutos?”. “Por que a gente é de Sobradinho”, responde Jota Pê.

Assim como tantas outras do entorno, o Darshan é uma banda que não conseguiu por muito tempo, a oportunidade de tocar suas músicas em Brasília, devido à maioria das casas de show, preferir fazer shows de cover. Já que elas podem ter menos trabalho e mais lucro chamando a mesma panelinha de bandas, para fazerem dois ou três dias de show. Dois de metal e outro de alguma coisa que eles chamam de “alternativo”. Lucram em cima de bandas que se promovem em nome de outras, a maioria finada, ao invés de revelar novos talentos da cidade. Além disso, 90% das vezes, não pagam nem o trabalho que as bandas têm com transporte, muito menos com a bebida.

Após entrar em muita entrada errada e ler várias placas, finalmente chegamos ao local. É a primeira vez do grupo na cidade e já se sentem em casa, passam o som e acertam de tocarem 45 minutos. O show começou era 23h20 e o Darshan abriu com força total. Alisson (bateria) põe uns óculos à Ray Charles e ganha gritinhos da galera. Sua pegada precisa, disciplinada e leve ao mesmo tempo, fazia a bateria levitar junto aos outros instrumentos. O chiado que saia de seus pratos enchia o som e ficava onipresente durante todo show. Soava quase lisérgico em conjunto com os acordes dissonantes das guitarras e o baixo fazendo o piso das músicas. Notam-se alguns acordes de MPB, Oliver tocava sua guitarra como um violão. Ele e Thuyã fazem alguns duetos, Oliver parecia inseguro quando postava a voz nos refrões e às vezes desafinava. Mas sua voz forte e rouca não deixava explicito. Os solos de Thuyã davam o toque final nas músicas, especialmente na quase valsa, “Passos Falsos”, onde lembrou Pink Floyd.

“Foi uma novidade muito boa, eu não tinha escutado ainda. O vocal dele lembra o vocal do Silverchair, mas um lance mais grunge. O batera toca muito, ele toca parecendo natural, mas ta tocando para cacete. Eu gostei da guitarra do guitarrista, ela tem um timbre peculiar, e o baixista só curtindo o baixo da música... foi a banda perfeita para abrir hoje”, diz Davi Kaus, guitarrista da banda Vitrine. “Curiosamente pareceu Los Hermanos”, comenta Ennio Vilavelha, baixista da banda River Phoenix e responsável pela iluminação do show. “É parece sim, parece sim”, enfatiza a namorada do Davi. “É, pareceu nas músicas sem overdrive, o jeito dele cantar pareceu mesmo”, completa Davi.

Depois de ver o show, Everaldo Maximus, baixista da banda Valdez e um dos diretores do coletivo, senta com a banda para revelá-la a realidade sobre os coletivos, as panelinhas e como surgem as oportunidades de giro dentro do universo da música independente. Para ele, cada banda deve procurar fortalecer a cena de sua cidade, promovendo eventos para que ela se torne uma “referencia de troca”, para que assim, se torne mais fácil e atrativo tocar em vários lugares. “Banda que só toca, não vai para frente, a banda tem que promover alguma coisa", diz Everaldo.


Por volta de 1h da madrugada a banda caçula do coletivo, Lacuna, sobe ao palco para dar continuidade ao show. Sérgio (bateria) está vestindo uma camisa com um coração desenhado a mão, escrito “Den & Sérgio” dentro. “É em homenagem a namorada japa dele de SP”, entrega Rick, seu irmão. Saem os pratos místicos e entram os pratos recortados como queijo mordido na borda. Os dois guitarristas arrumam suas maletas repletas de pedais e depois de anunciarem os membros como em um ring de boxe, Michel Aleixo (voz/guitarra) cola uma foto do padroeiro do coletivo (o jornalista e escritor Hunter S. Thompson) no bumbo da bateria e avisa. “Eu to com a garganta inflamada, se eu cuspir sangue não é efeito especial”.

O show foi curto e grosso. A banda que tem praticamente quatro meses de vida, abriu com um cover do Mudhoney e ao todo tocaram seis músicas. Até a segunda, o som estava todo embolado, uma guitarra cobrindo a outra, a bateria distorcendo com as pancadas, a voz estourando e só o baixo se salvava. Da terceira em diante, o som melhorou e a banda fez a galera “tirar o pé do chão” com “Turnaround”, uma música intensa que explode nos refrões. A banda é pesada e barulhenta ao melhor do estilo stoner, vários tipos de distorções e efeitos são usados nos riffs, intercalados com os dois vocais gritados. O ápice chegou em “Black Dolls”, quando a garganta deu sinal vermelho, Michel parou o show, pediu água e um conhaque e agradeceu. “Obrigado pelo conhaque”. A banda terminou com uma música em homenagem a uma atriz pornô, “Sasha Grey”, de mesmo nome. O show foi um oferecimento de “Zezé de Camargoooo!!!!”, lembra Druga (voz/ guitarra), uma referência a um amigo em comum dos presentes.

“Achei boa, mas achei igual que nem todas as bandas de stoner. Não gostei da palhaçada dos dee lays, mas gostei muito das partes que pareciam com Melvins. A parte que eu mais gostei foi as partes devagar, mais enfeitadas”, comenta Vitor Gama, estudante de letras. Alguns músicos da banda também fazem parte de outras, mas apesar disso, se esforçam para deixar o som da banda perfeito para gravarem um EP. “há um mês, a gente resolveu como regra não passar uma semana sem ensaiar. Se não der no sábado, a gente faz no dia da semana”, explica Michel.

Em seguida, a trupe do Enema Noise sobe para arrumar além dos instrumentos convencionais, um computador, um sintetizador e um teclado. Todos olhavam desconfiados para o quarteto sem saber o que esperar. “Essa banda ai vai tocar emo ou rock japonês?”, ouço alguém dizer. Talvez esse tenha se surpreendido quando se viu exposto ao caos sonoro da banda, que ia do eletrônico a hinos de fúria no palco. Muitas vezes o som chiou feio, mas foi a banda que mais atiçou e agitou a galera. Lamin, uma criatura minúscula, aparentemente meiga e inofensiva berrava as músicas com toda força e energia que podia, às vezes fazia uns guturais bizarros também. ENum momento ele tira a roupa e fica só de cuequinha, pulando como uma pulga albina. Em seguida, Davi sobe no palco para cantar e também tira a roupa. Pareciam estar sendo eletrocutados em meio ao caos da apresentação. Daqui a pouco vira tradição ficar pelado nas noites do Cultcha.

“Queria dedicar essa música para a cidade, por que aqui não é Goiânia, aqui não é Brasília, aqui é Taguatinga!”, assim a banda anunciou a ultima música da noite. A última da noite foi além do convencional. Pela primeira vez este que voz fala, viu tal coisa acontecer. Lamin e Murilo (guitarra) pegarem um baixo condor, com duas cordas somente e descê-lo com toda força contra uma pedaleira até sair os pedaços e depois, espancarem o baixo e a guitarra até cansar. Quando acabou apresentação muitos ficaram chocados com o impacto sonoro e visual da apresentação, outros histéricos. “Achei legal, a musiquinha do tetris e tal, é o tipo de musica que eu escutaria jogando um jogo de corrida”, diz Jota Pê, baixista do Darshan. “Não gostei não, acho que não precisava de toda essa palhaçada, ele deve ser muito rico para ficar destruindo as coisas”, diz Larissa Mattos, estudante de direito.

Lamin estava satisfeito pela noite. Segundo ele era um desejo antigo tocar na cidade com o Enema Noise, após ter tocado em muito “lugar errado” em que as pessoas “não souberam entender a energia do show”. “É justamente por isso que estávamos falando de Taguatinga. O fato delas aqui é assistir as bandas, a gente sente falta muito disso, mas eu acho que ta melhorando”, diz. Sobre a agressividade da banda, ele explica da onde vem e revela ainda mais um plano que tinha para noite. “É uma energia que você tem que transformá-la e levá-la para o público. isso é música, isso é arte. você não tem obrigação de agradar ninguém, você tem é que levar o questionamento para as pessoas pensarem e refletirem. Então a gente busca muito esse lance do choque, do impacto e naturalmente isso acaba sendo levado pro palco, pros instrumentos e tudo mais. A gente tinha uma televisão com pornografia, mas não consegui ligar”. E a pedaleira?. “a pedaleira já era, o baixo também”.

Depois da apresentação da banda, Nugoli vai conferir os equipamentos, fala umas palavras com Lamin e volta com uma cara de sério com um microfone na mão. Pergunto o que achou da performance. “Bom, bom, bom. Ele não toca mais aqui, é de menor, fez strip-tease na minha casa e não toca mais”, ele responde sério com cara de mal. Olho para ele fixamente e ele não segura o riso. “Achei muito legal, fui lá falar com ele e ele disse que ‘no plano a gente não arranja lugar nenhum pra tocar e a gente se sentiu em casa aqui’”, diz ele. Persisto para ver se realmente não houve nenhum ponto negativo para ele. “Não, não, no palco vale tudo”, responde verificando os amassados na bola do microfone.



Em breve, a resenha da segunda noite e a sessão completa de fotos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

COLETIVO CULTCHA EM DOSE DUPLA - PARTE II

Nessa segunda parte, vamos divulgar as entrevistas feitas com as bandas que vão tocar no dia 13/11, sexta-feira. São elas: Darshan, Enema Noise e Lacuna. Lembrando que os dois eventos vão começar a partir das 22 horas e entrada a R$7,00 cada dia ou R$10,00 os dois dias com nome na lista, tanto na hora quanto por e-mail: coletivocultcha@gmail.com

DARSHAN


Com um nome tirado de um livro de Gandhi, cujo significado é poder de visão, a Darshan foi formada em 2005 em Sobradinho e passou por duas formações diferentes, até que em 2008 se consolidou com: Oliver Alexandre (guitarra/vocal), Thuyan Caixeta (guitarra/vocal), João Paulo Berger (baixo) e Alisson Vas (bateria). Com letras profundas e intimistas e uma sonoridade melódica que aponta para influências de bandas de Seatle do início dos anos 90, como Pearl Jam e Screaming Trees, a banda possui um cd indepedente com 9 faixas.

www.myspace.com/bandadarshan

ENTREVISTA

CC – O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

Darshan: O coletivo que apóia bandas autorais e independentes pode até estar colaborando com a cena do rock, mais dizendo bem é a produção mais autêntica nos tempos de hoje. Porquê quem melhor pra sentir na pele o que é ter espaço restrito pra shows de rock do que os próprios músicos? Então essa idéia de crescer individualmente ou se juntar a uma panelinha restrita já está ultrapassado. Os artistas estão crescendo unindo-se aos outros, é com isso que o público vai reconhecer nossa existência . O Darshan acha que iniciativas como a do Coletivo Cultcha servem de exemplo pra quem quer sair da mesmice e realmente fazer acontecer.


CC – Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

Na cena local Sobradinho, trazer o pessoal das outras cidades tem sido a maior dificuldade, devido a isso fica até difícil pra alguma banda sair da região e mostrar que a cidade tem um movimento. Uma vez até convidamos uma produtora pra conhecer um evento daqui, daí ela perguntou: “Acontece algo nessa cidade ? A única que coisa que eu já vi, foi aquela festa do moranguinho.” E um integrante de banda responde que ha 6 anos, tocou em uma sorveteria da região, em que cabia um pé dentro do palco e outro fora. Só por curiosidade a exposição agrícola festa do morango acontece em, brazlândia, localizada no oposto de sobradinho. As coisas aqui já estão diferentes, temos pub’s pra voz/violão e algumas casas de festa, porém cobram preços altos pra eventos. De vez em quando a saída é uma chácara bem decorada, com aparelhos de som de porte médio, pra poucas pessoas pois o acesso ainda é muito limitado.

CC - O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 13/11?

Darshan: Podem colocar o capacete, pedras vão rolar, uma banda tentando transformar idéias complexas em próximas do simples , um “grunge abrasileirado” como já apelidaram e letras vindas do conflito da condição humana. Não estaremos lá pra profetizar nenhuma palavra mas esperamos que as pessoas atinjam sentimentos de um extremo ao outro, tenham impacto com o som e despertem perguntas em si mesmas que jamais imaginaram existir.

ENEMA NOISE


O Enema Noise surgiu em 2005 como trabalho autoral do atual vocalista/guitarrista R. Lamin. A banda se completou em 2009, com a entrada de F. Raupp - baixo/sintetizadores; Marcelo Melo - Bateria; Murilo Barros - guitarra. Nesse ano o grupo também foi escolhido como um dos participantes do tributo ao Defalla "Não Me Mande Flores" com uma releitura da música "Obsessão". Já em agosto, gravou um split EP com a banda The Fraktal (RJ).

www.myspace.com/enemanoise

ENTREVISTA

CC - Vocês são fundadores do Esquina, coletivo que, num curto período de vida, já promoveu diversas ações (shows e palestras) que movimentaram a cena brasiliense. Por que criar um Coletivo?

Lamin
: Pra organizar e ajudar a cena musical independente de Brasília. A gente percebeu que sem esse controle ficava difícil arranjar espaço pras nossas bandas, principalmente no caso do Enema Noise. Vocês do Cultcha sabem como muito bem como é isso. Em situações como essa, ou a gente lamenta que não tem aonde tocar (e pra quem tocar), ou então corremos atrás de montar a nosso próprio cenário.

Marcelo
: Quando eu, Lamin e Jacque (minha namorada) fundamos a Bloco Produções, a nossa proposta era quase a der ser um coletivo, embora na época não sabíamos. Temos um visão bem horizontal e de igualdade, e queríamos de alguma maneira levar isso pra cena musical e artistica de Brasília. E foi quando trouxemos a banda Nuda, de Pernambuco, que conheci o circuito fora do eixo e a necessidade da criação de um coleitvo para dar conta da demanda que brasília, e a cena independete exige.

O conceito de coletivo incide uma certa rotatividade, pelo menos de areas de formação, como fotografia, jornalismo, publicidade, entre várias outras, extremamente necessárias pq quando você começa a ser organizar você percebe a necessidade das pessoas certas para fazer as coisas de maneira correta. Foi então que, junto com a mundano produções, a bloco produções fundou o Coletivo Esquina. Nos organizamos e vimos que é necessário todo um envolvimento de pessoal para comunicação, circulação e sustentabilidade, por exemplo, e que isso pode ser feito de maneira mais séria.

Eu mesmo tinha a errada visão de que, por ser independente, o esquema tinha que ser tosco. E não, na verdade quando melhor as pessoas ser organizarem mais longe podem chegar, com uma movimentação artistica de qualidade, não só de eventos, mas até de aproximação política - algo ainda pequeno pra maioria dos grupos independentes organizados. Por isso, fundar um coletivo é importantíssimo... pra se organizar. Pra poder de forma solidária e amiga ir bem longe por aquilo que se gosta.

CC – Como atuantes na cena também, o que vocês acham dessa movimentação que tem surgido (até mesmo nossos coletivos são exemplos disso), em que os artistas estão correndo atrás de seus próprios espaços e dando um foda-se para as famosas “panelas”, que sempre caracterizou a cena independente de Brasília?

Lamin: Eu acho bom. É o processo natural né? O problema é que aqui sempre teve banda demais. Aí ficou aquele negócio de que artista tem que ser assistido e bajulado. Ou então, explorado por produtores culturais que não tão nem um pouco interessados em colaborar com o cenário. Isso acomodou ou desmotivou o público e as pessoas envolvidas na música. Essa movimentação artística de agora tá retomando o espírito da coisa. Quem tá interessado corre atrás do próprio espaço; se quer tocar, tem que trabalhar! Em Brasília os músicos perderam um pouco dessa sacada e os coletivos tão trazendo isso de volta.

Marcelo: A cena independente tá melhorando, mas ainda não é a ideal. Na verdade, sempre poderemos evoluir. Acho que a idéia de varios grupos, produtoras, coletivos estarem se formando é muito importante pra isso. Porém, pra uma movimentação artistica ser ainda mais poderosa é mais importante ainda que esses grupos organizados se comuniquem e se organizem juntos também.

E não é pra desanimar, mas tudo isso não é facil. Causa um pouco de dor de cabeça, as vezes parece uma correria sem fim. Se você quer se organizar, ter uma banda, sei lá, já não é legal pensar em simplesmente fazer isso tudo pra pegar garotinhas (risos), o buraco é mais embaixo, dá trampo e o que faz valer a pena é ver tudo isso realizado e dando resultado.

CC – O que a galera pode esperar da apresentação do Enema Noise no dia 13/11?

Murilo
: sinceridade.

Marcelo: pode esperar rock de verdade.

LACUNA


Enraizada em propostas mandatórias para aqueles adeptos do rock sem máscaras, a banda Lacuna simplesmente produz música sem levantar bandeiras e sem jogar confetes. Com apenas alguns meses de existência, o quarteto formado por Sérgio Mota (bateria), Bruno de Oliver (baixo), Alexandre Fontenelle (guitarra/voz) e Michel Aleixo (guitarra/voz) condensa sub-estilos como o alternativo (Mudhoney) e o stoner (Kyuss, Queens Of The Stone Age) com a integridade do rock garageiro. No myspace do Coletivo Cultcha é possível ouvir a música "Black Dolls Take The Honnors", gravada para a coletânea vol. 1 do Coletivo Cultcha.

www.myspace.com/coletivocultcha

ENTREVISTA


CC – O Lacuna é a caçula das bandas que ajudaram a formar o Coletivo Cultcha, como vocês vêem essa movimentação na cena independente com músicos se juntando com outros músicos e organizando seus próprios shows ?

Sérgio: Sim, somos o filho menor do Cultcha. Vemos como uma coisa natural, de quem tem sede por fazer música. E é muito bom que isso esteja acontecendo maravilhosamente bem na cena independente brasileira e começando a pipocar aqui no DF também. É o caminho. O Cultcha é um bom exemplo disso, assim como outros grupos agitadores da cena como o Torneira, o coletivo Esquina, o Bloco e tal, entre outros...

Vamos unir essa gente toda e agitar a onda aqui no DF!

CC – Vocês estão preparando alguma surpresa especial no show do dia 13/11?

Sérgio: Não... nada muito específico. Estamos compondo músicas novas, o que não deixa de ser uma surpresa..., ensaiando, polindo nosso som e tal, e com isso tentar fazer shows com muita energia.

Bom, dia 13 cai numa sexta, né? Sexta feira 13! Tudo pode acontecer... (risos)

CC – Falem um pouco do petardo de vocês registrado na Coletânea Cultcha, “Black Dolls Take The Honnors”.

Sérgio: Um petardo?! Uau! (risos) Bom, a Black Dolls Take The Honors foi uma de nossas primeiras crias e gostamos muito dela. Reflete um pouco algumas de nossas grandes influências, que são várias, mas mais em comum os anos 90, o tão falado stoner tambem e tal. É uma música bastante enérgica e adoramos tocá-la em nossos shows! Rooock!

Michel
: Ela nasceu de uma experiência que tivemos num bar de motoqueiros gays. Os Black Dolls são um grupo de desordeiros que andam em Harleys’s e Vincent Black Shadows. Eles são facilmente distinguidos por usarem sempre um lenço rosa envolto no pescoço. Não vou dizer aqui como fomos parar neste bar, mas o que posso dizer é que quando se trata de levar certas experiências ao limite, os Black Dolls realmente merecem todas as honras.






terça-feira, 27 de outubro de 2009

COLETIVO CULTCHA EM DOSE DUPLA - PARTE I

(Clique na imagem para visualizar melhor)



Este mês o Coletivo Cultcha, contando com o apoio do Botiquim Blues, preparou eventos em dias seguidos, 13/11 e 14/11, respectivamente sexta e sábado. Vão ser, no total, seis bandas se apresentando, sendo três a cada noite, e discotecagens de Mauricio Kozak (Leda) na sexta e de Fábio Alho no sábado. Como se não bastasse, o evento do Coletivo Cultcha vai contar com uma atração de outro estado, a banda Evening, de Anápolis - GO.
Já aquecendo para os shows, a seguir um pouco sobre as bandas que vão tocar nos dias, com direito a uma mini-entrevista. Nessa primeira parte, vamos apresentar as bandas que vão tocar no sábado, dia 14/11.

LEDA


Formada no final do ano de 2005, após o término da Banda “The Cretines” (banda, essa, que tinha seu trabalho voltado para covers de bandas dos anos 80 e 90) a Banda Leda surgiu com o propósito de pôr em prática suas influências musicais (Picassos Falsos, Pin Ups, Second Come, Hojerizah, My Bloody Valentine, Sonic Youth, The Jesus and Mary Chain, Ramones, Joy Division, Spacemen 3 etc.) e a vontade de realizar um trabalho autoral, voltado para o Pós Punk e as Guitar Bands dos anos noventa. Sua atual formação é Tiago Dias (bateria), Marcos “Caju” (baixo), Davi “Kaus” (guitarra e vocal) e Maurício Kozak (guitarra e vocal). A seguir uma entrevista com Mauricio Kozak e Davi Kaus.

www.myspace.com/noisebandaleda


ENTREVISTA

CC - Como andam as atividades do Leda e o que está por vir?

Davi e Maurício: Caras, a banda tem passado por um período complicado devido à correria do dia-a-dia: trabalho, estudos, estudos, trabalho... hehehe... E, devido a isso, cada um tem se dedicado mais individualmente, escrevendo, compondo e colocando essas novas nuances nos ensaios, que não vêm acontecendo com tanta assiduidade quanto deveria, pois alguns integrantes da banda têm se dedicado a estudar pra passar em concursos publicos (o que todo mundo quer...). Porém, esse período termina agora em outubro e retomaremos com todo gás, como foi feito na coletânea do Cultcha! em Junho/2009.

CC – O que as pessoas podem esperar da apresentação do Leda no dia 14/11?

Davi Kaus:
Um noise dos infernos transubstanciado num amor etéreo e enevoado... raiva tentando se conter, mas esbarrando numa vontade incontrolável de quebrar tudo! A gente tenta fazer um show no qual exista a diversão natural de um show de rock, mas tentando rasgar o coração de todos... E, obviamente, não pode ser menos, afinal, é o Cultcha, né?!

Mauricio Kozak: Estamos trabalhando em duas musicas novas e, possivelmente, elas aparecerão no próximo show do Coletivo. Nossas apresentações têm sido um tanto rápidas e isso acaba fazendo com que a qualidade sonora da banda não apareça por inteiro, mas vamos nos esforçar ao máximo para executar nossas canções da melhor forma possível, com muito amor, raiva, disturbios sonoros e um pouquinho de sacanagem, que não faz mal...rs...

CC -
Muitos do Coletivo Cultcha consideram Baby Come Home o hit da Coletânea. Falem sobre essa obra prima do noise.

Maurício: Bem, a banda tem um tesão escroto por essa música e ficamos orgulhosos em saber que as pessoas gostam tanto dela, mas dizer que é um hit... Hummm, porra, a coletânea tem ótimas bandas e músicas, todos estão de parabéns pelo trabalho que foi realizado.

Essa música, pra mim, dentre outras do Leda, tem uma particularidade tremenda, pois foi escrita e composta durante mais uma embriaguez minha e do Davi, e eu, claro, lamentando mais uma vez de sobre um fracasso amoroso.

DEFINIÇÃO DE BABY COME HOME (por Maurício Kozak)

Gritos insanos, noise, rifes e ruídos feitos pelo Davi na sua Les Paul, uma linha de baixo tipo “Mike Tyson” executada pelo Caju, a batera escalafobética do Tiago e a turbina de um DC10 com distorção, reverb, wah-wah, chorus e delay produzido por uma Super Sonic.

Davi: O Maurício compôs esse rife, que é bem simples, mas muito legal. E ele compôs umas letras e levou pro ensaio pra gente fazer algo. E eu adorei essa especificamente, ela é psicodélica, mas ao mesmo tempo, bem pé no chão...Gosto muito dessa letra. É uma música na qual eu acho que a gente conseguiu pôr duas das nossas maiores e melhores influências, que é o Jesus and Mary Chain e o My Bloody Valentine, mas, de uma maneira natural, sem forçar a barra. O Sérgio (baterista do Lacuna e do Valdéz) fez um elogio tão comovente e ele conhece muito de música, toca muito bem e é um grande amigo. Todos do Coletivo Cultcha!, em geral adoraram a música. É muito bom ver que as pessoas sentem o que a gente sente em relação às nossas composições, nós as compomos com tanto carinho e verdade... É ótimo quando recebemos na mesma moeda.


EVENING


O Evening está em atividade no cenário anapolino desde 2007, resultado de 4 anos de entrosamento musical por parte dos integrantes. O som é uma mescla de grunge, punk e influências dos anos 80/90 e características próprias em excesso. Evening parte dos espíritos pertubados de seus integrantes que, de maneiras diversas, demonstram suas inquietações por meio do bom e velho Rock n Roll!!!

ENTREVISTA

CC - Como está a expectativa da banda em vir tocar em Taguatinga? Vocês já tocaram em alguma cidade do Distrito Federal antes?

Evening: Estamos bastante ansiosos para tocar em Taguatinga e divulgar nosso trabalho por aí!! Será a primeira vez que tocamos no DF!

CC – Como é a cena independente em Anápolis - GO?

Evening: Anápolis tem uma cena forte, um público massa, com diversas vertentes e estilos diferenciados. Mas o metal ainda é a preferência da galera daqui!

CC – O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês no dia 14/11?

Evening: Pra quem for nos assistir no dia 14 garantimos muita quebradeira, pegada forte e riffs energizantes!!!

TIRO WILLIAMS


A Tiro Williams foi formada em 2007 por quatro amigos que já haviam tocado juntos em outras bandas. Atraídos principalmente pelo rock alternativo dos anos 90 e 2000, têm como influência bandas e artistas como Pavement, Weezer, Ben Kweller, Foo Fighters, Radiohead, The Cooper Temple Clause, Strokes, Supergrass, Pixies, Nirvana, Smashing Pumkpins. Depois de um ano de ensaios para compor o repertório, o quarteto estreou nos palcos em 2008. A banda já abriu shows de bandas consagradas da cena independente nacional, como Moptop, do Rio de Janeiro, Ecos Falsos, de São Paulo, e Zefirina Bomba, da Paraíba, e participou do Finca (Festival Interno de Música Candanga – UnB), da tradicional Noite Senhor F e do Expressões Oi. Lançou o primeiro disco, produzido por Gustavo Bill, em agosto de 2009.

www.myspace.com/tirowilliams

ENTREVISTA

CC – Como está a expectativa da banda em tocar no evento do Coletivo Cultcha, dia 14/11? É a primeira vez que vocês vêm pra Taguatinga, certo?

Tiro Williams: É nossa primeira vez em Taguatinga e estamos ansiosos para tocar aí! Sabemos que a cena rock aí é bem forte e o público bem presente. É muito legal poder se apresentar para um público novo e diferente, então a gente não podia estar mais feliz com o convite. É muito importante pra gente poder mostrar o trabalho que a gente realizou até agora.

CC – Para as pessoas que ainda não conhecem, falem um pouco sobre o excelente álbum de estréia da Tiro Williams.

Tiro Williams: O disco foi gravado pelo Gustavo Bill, que tem produzido ótimos discos de bandas de Brasília (como Os Dinamites, Pedrinho Grana & Os Trocados, e está agora em processo de gravação com o Los Torrones e Cassino Supernova). As músicas foram todas gravadas no quarto dele, literalmente! Os vocais e guitarras foram gravados no box do banheiro. Mas no fim das contas o resultado ficou surpreendente. Recebemos resenha bacanas e ficamos felizes com a aceitação de público e crítica até agora. O esquema agora é tocar né! Para quem quiser ouvir o resultado, é só entrar em www.tirowilliams.com, para ouvir e baixar de graça! Para os mais aficcionados, também existe uma versão física do disco, que a gente mesmo monta em casa e vende por módicos R$5.

CC – O que a galera pode esperar da apresentação de vocês, no dia 14/11?

Tiro Williams:
Faremos um show com as músicas mais animadas, e esperamos incluir no repertório músicas novas, que pretendemos gravar já no ano que vem. Vai ser bem divertido, a gente sempre se diverte tocando, então de todo jeito alguém vai estar achando legal, haha. Daí por conta disso, a presença de palco acaba sendo bem intensa, tomara que o público curta tanto quanto a gente.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

A VIDA É MUITO MAIS AGRADÁVEL DEPOIS DO COLETIVO CULTCHA


“Quanto mais odientos vocês ficarem garotos, maiores serão os shows que daremos a vocês.” – Alice Cooper


Michel Aleixo



No dia 12 de setembro, às 23h13, no Botiquim Blues, Taguatinga eu estava no meio do fogo cruzado. Mais uma vez, “aos 45 do segundo tempo”, o salão de baile se encheu repentinamente. Sob a alcunha de Thunder Joe, eu era deejay da ocasião em parceria com o comparsa Ennio Villavelha, a Lighting Ana. Digo fogo cruzado porque a essa altura, vez ou outra, dava uns pulos no palco para auxiliar o multiman Davi Kaus nos mistérios do 110/220v na ligação dos amplis.

De fato a moçada não decepciona. Já é senso comum entre os pra frentex e engajados, que em Taguatinga, tirando a Praça do Relógio depois das três da madruga, as noites Cultcha no Botiquim Blues são a melhor diversão que cinco mangos podem pagar. Cerva gelada, gente bonita e som transado. Vai comer ou quer que embrulhe?

Mas estou divagando, neste texto tenho que resenhar a noite. Vamos ao lead: Satanique Samba Trio, Cassino Supernova e Vitrine são as atrações deste que é o terceiro evento Cultcha. “As bandas são de qualidade, o público é excelente. Cada vez fico mais satisfeito”, afirma Nugoli, o carcamano boa praça que administra o pub. O Botiquim é um dos melhores espaços de Taguatinga para bandas de rock. O teto baixo contribui para uma melhor reverberação do som, a aparelhagem dá conta do recado, assim como o equipamento de discotecagem. No palco, a primeira banda está pronta para o tiro de partida.



O Satanique Samba Trio é como juntar Mike Patton, Jacob do Bandolim, Arrigo Barnabé e Toninho do Diabo para biritar numa encruzilhada. Lenda do underground brasiliense, o som do sexteto seria a trilha sonora ideal para uma sessão de exorcismo de Anneliese Michel. Free jazz com instrumentos tupiniquins, cadências súbitas e compassos tortos. No repertório, títulos como “Deus Odeia Samba-Rock” ou “Gafieira Bad Vibe”. Se Brian Wilson tem uma pulga atrás da orelha em relação a maldições relacionadas a Mrs. O'Leary's Cow, não deve nem sonhar em passar perto do SST.

Durante o show, o porta voz do grupo é o baixista Munha. Entre suas frases de efeito, tijoladas como “Nem tanto pessoal”, quando o público os aplaudiu calorosamente; ou “a gente vai tocar a última porque é muita informação para vocês”, sua maneira de anunciar o coda, pouco tempo depois. De fato, essa atitude anti-estrela do rock foi o único ponto negativo da apresentação. O SST foi um dos melhores momentos do Coletivo Cultcha até aqui.



Na seqüência, a bola esteve com a garotada ponta firme da Cassino Supernova. Com poucos meses de atividade, a banda, entre outras conquistas, está bem na fita do Circuito Fora do Eixo, se apresentando em vários estados; foi uma das classificadas do Porão do Rock deste ano; e seu primeiro lançamento já recebeu polegar pra cima do Correio Braziliense. “Não pare de sonhar, só não se esqueça de acordar”, eles cantam em Flashes. Rock 60/70 bem tocado. Rolling Stones, Cachorro Grande, Lafayette e os Tremendões, tudo ao mesmo tempo agora.

Os caras extrapolaram os 30 minutos de set sem perder o pique. Enquanto que no SST as pessoas reagiam meio que estáticas ao estilo de som, no show do Cassino o público simplesmente deitou e rolou.



O clima foi o mesmo para quem ainda estava lá quando o Vitrine subiu ao palco. A banda é prata da casa, tem público cativo. Ela também é uma das seis que edificaram o Coletivo Cultcha. O som é pós-punk, rock anos 80, noise bem colocado. O show foi catarse, especialmente a performance do guitarrista Davi Kaus. Quem toca quem? A Les Paul toca o Davi ou o Davi toca a Les Paul? “O nome dessa música é Snooker Nine e ela faz parte da Coletânia Coletivo Cultcha”, anunciou o vocalista Israel, antes de executarem o momento mais explosivo da noite.






Eram mais de duas da manhã quando os últimos acordes engasgados com feedback morriam no palco. Mas muita gente ainda ficou bebendo e dançando no Botiquim. No fim das contas, foi uma noite bem sucedida. Inclusive com recorde de pagantes. Sobre nosso desempenho nas pickups? Para apertadores de play de primeira viagem, acho que fomos satisfatórios. Uma dica: Se algum dia você for discotecar, “Legal Tender” dos B 52’s atrai garotas hipsters para a pista.

O que vale dizer é que o Coletivo Cultcha vem cumprindo sua proposta de promover intercâmbio na muitas vezes, infinita distância emocional que afasta vários agentes do rock independente de Brasília. Pessoas que tem muito a somar e, simplesmente, não conhecem outros com a mesma vontade num território tão pequeno como o DF. Também é importante ressaltar que a pretensão do Cultcha não é beneficiar ninguém especificamente. Seja ele banda ou produtor. Como dizia o mestre Lester Bangs, o que vale mesmo é a música. O artista, DJ ou bêbado que grita “toca Raul!” é apenas um trâmite. Alguém que cumpre uma função social de atrair ao mesmo espaço, aqueles com este interesse em comum. Se você concorda com essa proposta – que não é nova, diga-se – é muito bem vindo ao Cultcha. Simplificando, do it yourself.


Fotos: Andreia Cristinne Aguiar

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PÉ NA ESTRADA

Valdez em Cuiabá. Grito Rock 2009.


Portal Toque no Brasil promete revolucionar a interação entre bandas e casas de shows de todo o país

Michel Aleixo



Não há dúvidas que iniciativas como a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) e o Circuito Fora do Eixo (rede de trabalhos concebida por produtores culturais de diversos estados), estão promovendo uma combustão sem precedentes na cena da música independente. Hoje, bandas associadas a coletivos e produtoras de sua cidade de origem, dispõem de uma rede de contatos que lhes permite agendar e conhecer parceiros de outros lugares com maior facilidade. Entretanto, para muita gente, ainda existe algo nesse sistema que não funciona de maneira articulada, o circuito de turnês.

Um dos que afirmam isso é o produtor e músico Sérgio Ugeda. Sua idéia para mudar essa realidade é o portal Toque no Brasil. Ele o apresentou em uma das conferências livres que integraram a edição deste ano do Porão do Rock. Trata-se de um site que vai conglomerar contratantes (casas de shows), contratados (bandas e profissionais da música) e público. Uma vez reunidos no mesmo cyber espaço, produtores e casas poderão divulgar datas abertas em suas agendas e contatar artistas cadastrados. Por exemplo, uma banda de Brasília que tiver um show marcado em São Paulo, pode consultar opções de datas disponíveis em cidades no meio do caminho. Hipoteticamente, ela pode tocar no interior de Minas na ida e se apresentar em Belo Horizonte na volta, passando também por Goiânia, etc.

“Você pode observar, não acontece apenas com bandas pequenas, até os figurões como Ivete Sangalo ou Titãs não fazem turnês propriamente ditas. As datas mesmo que espalhadas pelo país são sempre esporádicas”, afirma Sérgio, que é guitarrista e vocalista da banda paulista Debate e comanda a gravadora Amplitude. A idéia do Toque no Brasil não é exatamente nova. Nos Estados Unidos, o site sonicbids já há alguns anos oferece esse serviço de agendamento para bandas que excursionam por lá. “Assim que conheci o site logo me cadastrei. Minha banda fez 28 datas nos Estados Unidos graças ao sonicbids. Quando estávamos em Boston, sede da empresa, fiz questão de visitar o escritório dos caras e agradecê-los. Assim que contei minha história eles disseram: ‘Você entendeu nossa mensagem, sua banda é um exemplo que nosso serviço funciona’. No ato me deram mil dólares e disseram que seríamos a banda destaque do mês”, conta.

O Toque no Brasil está recebendo os últimos ajustes antes do lançamento oficial, mas uma pré-versão já está no ar. Para Sérgio, o site é apenas uma ferramenta a mais. O que vale mesmo é à força de vontade da banda na busca de seus objetivos. “Não ache que alguém um dia vai bater na sua porta e te oferecer um contrato milionário. Isso não acontece. Hoje quem se destaca, sua a camisa e corre atrás. Simplesmente, ninguém gosta da sua música mais do que você mesmo”.

Conheça a versão demonstrativa do portal em toquenobrasil.com.br

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

COLETIVO CULTCHA VAI TRANSMITIR O PORÃO DO ROCK



Em parceria com o Coletivo Independência ou Marte, de São Carlos, SP, o COLETIVO CULTCHA vai transmitir os shows do Porão do Rock 2009.

Então, aqueles que por algum motivo não puderem comparecer a Esplanada dos Ministérios neste sábado e domingo, acessem o site da ABRAFIN e ouçam a equipe Cultcha em ação com os parceiros paulistas.

Esporte é radiodifusão. Pratique guitarra.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

COLETIVO CULTCHA NO PROGRAMA INDEPENDENCIA OU MARTE


Foi transmitido nesta segunda-feira na 95,3 fm para a região que abrange a cidade de São Carlos-SP e no site http://www.radio.ufscar.br/ o programa #113 promovido pelo Coletivo Independêcia ou Marte que traz entre outras coisas, uma entrevista com Diego Mendes sobre o Coletivo Cultcha, além tocar quatro músicas do cd Coletânea Cultcha na programação: Apocalipse Girl (Valdez); Narcan (River Phoenix); Black Dolls Take The Honnors (Lacuna) e Baby Come Home (Leda).


O programa está disponível na integra no blog do Coletivo Independência ou Marte. Acessem e confiram!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SHOW COLETIVO CULTCHA

É isso aê pessoal, no próximo sábado, dia 12/09, acontecerá mais um evento do Coletivo Cultcha, no Botiquim Blues, Praça do DI, em Taguatinga, a partir das 22 horas, com entrada a R$ 5,00. Dessa vez as bandas escaladas foram o Vitrine, Satanique Samba Trio e Cassino Supernova. Além de som mecânico com Lihtning Ana e Thunder Joe. Abaixo release das bandas com uma pequena entrevista feita com elas. Estejam todos convidados a comparecer. Esporte é droga, pratique guitarra!

VITRINE

O Vitrine nasceu em Brasília e tem a formação atual desde 2006. A proposta autoral da banda consiste em explorar influências do Pós-punk, Rock Brasília dos anos 80 e as novas influências do Rock inglês dos anos 2000. A banda conta com Mark Santana no contrabaixo, Israel Veloso nos vocais e guitarra, Davi Kaus na guitarra solo e Anderson Gomes na bateria. Atualmente a banda se encontra em processo de produção do seu primeiro disco no estúdio Daybreak, em Brasília, com produção de Philippe Seabra (Plebe Rude).

http://www.myspace.com/vitrinebrasilia

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

V: Hoje em dia é fundamental que as pessoas se juntem para fazer surgir oportunidades, já que ficar esperando iniciativas do governo ou de quem diz fazer cultura no DF está fora de questão. Os nichos culturais alternativos pelo país estão cada vez mais organizados, e isso ocorrerá aqui, com certeza.

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

V: Se falarmos que a falta de espaço é uma delas estaremos mentindo. O DF tem inúmeros lugares, espaços para tocar. O problema principal é a velha panela. São poucas pessoas que se acham no direito de decidir o que é legal ou não de ser apresentado. Falta profissionalismo, inclusive de nós, músicos da cidade.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

V: O Vitrine está com repertório renovado e prestes a entrar em estúdio. Podemos esperar a energia de sempre, agora com mais vontade de mostrar as coisas novas que farão parte do primeiro disco.

SATANIQUE SAMBA TRIO

Definir uma banda como Satanique Samba Trio é extremamente dificil. Será Jazz? Será samba? Ou simplesmente boa música que não cabe a rótulos pela inventividade com que os integrantes executam cada pertado "da má sorte"? Rótulos ou definições a parte, a banda oriunda de Brasília conta com músicos já experientes e tem na sua história vários shows ao redor do Brasil, incluindo festivais importantes da música indepedente nacional.

http://www.myspace.com/sataniquesambatrio

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

SST: Se tem algo de que o DF precisa é de PRODUÇÃO ARTÍSTICA. Só temos a agradecer a
iniciativa do Cultcha...

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

SST: Não acredito que haja uma cena independente local.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

SST: Um show curto e grosso. Como estas respostas, inclusive...

CASSINO SUPERNOVA



Com influência do Rock n' Roll dos anos 50, 60 e 70, o Cassino Supernova não deixa de soar atual. A banda foi formada em Brasília no começo de 2009 e se destaca por suas apresentações enérgicas, também pelo carisma e versos que “não se contentam com os clichês do gênero”, segundo definiu o jornal Correio Braziliense. O Cassino Supernova já dividiu eventos com nomes importantes do rock nacional, como Raimundo(DF), Autoramas (RJ) e Facas Voadoras (MS), além de participar do circuito Fora do Eixo como "banda revelação de Brasília”. A banda é formada por Gustavo Halfeld (Guitarra); Raphael Valadares (Guitarra); Gabriel Rodrigues (Bateria); João Victor (Vocal); Pedro Henrique(Baixo).

http://www.myspace.com/cassinosupernova

Entrevista:

CC: O que vocês acham de iniciativas como a do Coletivo Cultcha, que propõem a movimentação da cena independente local através da cooperação entre os artistas da cidade?

CS: Achamos que o envolvimento dos artistas com o cenário é fundamental para que as coisas voltem a andar. Passamos por momentos de baixa na música de Brasília, com poucos eventos sendo produzidos e bandas tendo dificuldade pra mostrar seu trabalho. Acreditamos que os grupos têm que dar exemplo para o público, no sentido de prestigiar a cena, ir contra preconceitos de estilos, ajudar na produção e divulgação dos eventos, incentivar os amigos a participarem, e principalmente, dar tudo de si no palco. Iniciativas como a do Coletivo Cultcha são louváveis e muito importantes para o cenário voltar a pegar fogo!

CC: Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam na cena independente local?

CS: Principalmente a falta de união das bandas e estilos diferentes, e o público, que não prestigia tanto a cena autoral. Mas somos otimistas: temos tido contato com muitas bandas boas, e principalmente visto gente bem intencionada e com ótimas iniciativas, como o próprio Coletivo Cultcha e algumas produtoras, como a Bloco e a Mundano, que sempre abrem espaço para bandas menos conhecidas e são realmente compromissadas com o cenário. Acreditamos que com bandas boas tocando e o pessoal fazendo eventos legais, a participação do público só tende a aumentar.

CC: O que as pessoas podem esperar da apresentação de vocês, no dia 12/09 pelo 1º Circuito Cultcha?

CS: Rock´n Roll, baby! Hehe, vamos fazer de tudo pra que o evento seja foda e pra ver todo mundo dançando o velho rock enquanto tocamos!